QUEM REALMENTE SOU

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BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

INCONGRUÊNCIAS DO MUNDO E DA VIDA DA GENTE


VAI NÃO VAI - Quando menos se espera, a gente dá um passo à frente e outro para trás. Até parece que não somos capazes de nos contermos em determinadas circunstâncias da vida da gente. Perde a firmeza aqui acolá do que pactuou consigo mesmo e termina por fazer o que jurou que não faria jamais. São essas camaradas as incongruências que temos por vezes que enfrentar na vida. Não quer dizer que um dia não possamos nos firmarmos de uma vez e dizer, firmar o pacto e não mais fazer o que não deveria. O pacto maior que temos que fazer, com toda certeza deve ser com Deus, nosso Criador, mentor e nosso Mestre-Guia de todo o Universo.

ATÉ ONDE PODEMOS IR - Se por acaso algo está nos perturbando na vida, então temos que saber de sã consciência até onde podemos ir nessa caminhada, o que não podemos é fraquejarmos como moloides e nos amorfinarmos diante das tentações. A vida é dura, porém não devemos fazer por onde ela seja ainda mais, pois antes de tudo devemos amar a Deus e nos amarmos a nós mesmos acima de qualquer coisa. O que não podemos é continuar numa caminhada que sabemos que não é o  caminho mais correto que estamos seguindo. Que Deus seja louvado e nos abençoe para nos colocar no caminho certo, e isso que temos que buscar nesse mundo cheio de armadilhas e repleto de caminhos tortuosos.

ERRANDO E APRENDENDO - Nesta vida não há quem não erre, mas o importante mesmo é errar, mas é justamente se errando que se tem que aprender, senão para que serve se cometer o erro e nele continuar e não tirar nenhum proveitos em termos de sabedoria? - Todos erram, quem assim pensa, que atire a primeira pedra ou não apontai o teu dedo sujo a quem quer que seja, isso porque camaradas, todos nós somos passíveis de cometer erros.

MUITA COISA ENTRISTECE - Nessa vida da gente, pessoas que estão ao nosso lado, fazem coisas que nos deixam muito tristes. Talvez até involuntariamente, mas às vezes numa simples palavras existem pessoas que machucam, nos molestam mentalmente e nos deixam tristes como reles vermes quaisquer a rastejar. Mas a vida não é assim e quem faz as suas maldades, de uma forma ou de outra, há de chegar um dia que todos terão que prestar contas pelo que de bom ou de ruim fizeram neste mundo. É a velha história da luta do bem contra o mal, do justo e do injusto e assim por diante. É o mundo e suas desconexidades opostas que sempre tem dois lados, feito uma moeda, que sempre tem o verso e o reverso.

BARBARIDADES - São tantas as barbaridades praticadas desde que o mundo é mundo, que por vezes ficamos perplexos diante de tantas idiotices praticadas pelo homem contra a sua própria espécie. Há dias camaradas, que a gente vê coisas que não dá para acreditar. Como ceifar por exemplo, a vida de uma pessoa inocente a pretexto de que supostamente alguém de sua família praticou uma maldade contra uma outra pessoa, hem? - Não dá para acreditar nas barbaridades de que o homem é capaz contra um pobre indefesos qualquer. É a força, a tirania, que em muitas vezes, se prevalecendo do poder que tem, faz e desfaz sem que nenhuma providência venha a ser tomada por autoridades que estão num patamar maior na escala de poder. 

MATAR EM NOME DA LEI - Pior ainda é vermos que estão matando em nome da lei e achando que agindo assim, estão fazendo justiça. Só se for a justiça cega mesma de cegueira que nada ver, e não como simbologia de que ela não escolhe padrões de aplicabilidade da lei, ou o princípio da isonomia, em que a lei deve ser aplicada equitativamente em pé de igualdade para todo mundo, o que não bem verdade tal princípio na ordem prática de cada ser humano. Aqui nesse mister, o que está em jogo não é o que o sujeito fez ou deixou de fazer, mas sim o estamento social aonde o indivíduo está colocado, se na base piramidal ou no ápice, aí sim, a coisa muda de figura. É um mundo de impunidades e iniquidades que diuturnamente temos eu suportar e até em determinados casos, nada dizermos ou falarmos, senão a rebordosa vem contra nós próprios, o que uma verdadeira panaceia viver num mundo de tantos desencontros e incongruências. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

UM MUNDO QUE PRIMA E DIVULGA DIARIAMENTE A CRUELDADE HUMANA, É UM MUNDO DESUMANO


VALORAÇÃO - Ao acordamos e nos levantamos desde às 05h00 da manhã, o que vemos nos meios de comunicação é a divulgação de crueldades e mais crueldades que acontecem diariamente mundo afora. Há de se perguntar de quantas pessoas são tiradas imbecilmente a vida de pessoas por minuto ou até mesmo por segundos, se temos uma população que já beira à casa dos 7 bilhões de seres humanos, hem! - Não dá para acreditar no que presenciamos a cada momento que clicamos a televisão num noticiário qualquer. Só dá notícia ruim. Das boas podem ser contadas nos dedos, até porque, notícia boa não interessa muito ser divulgada pelos meios de comunicação, uma vez que, não dá ibope.

QUALIDADE - Há programações nos meios de comunicação, sejam falados, escritos, televisados, ou mais modernamente, internetários, que só primam mesmo pelo mau gosto. Não existem mais  programas de qualidade, mas sim, os que tratam de só ensinarem mesmo às pessoas que clicam o controle remoto de qualquer meio de comunicação, o que de pior existe para ser aprendido. Questão de respeito não mais existe e os tão decantados bons costumes do passado, foram para as cucuias, não mais são valorizados. A predominância mesmo é do mau gosto, do baixo nível e da libertinagem que tudo pode. Não que seja contra a determinadas mudanças de rotas de costumes sociais, mas existem coisas que só o futuro é quem poderá estar mais preparado para ver e conviver. Na verdade estamos vivendo novos tempos e com eles devemos nos adequar, pois a sociedade evolui na medida que o tempo passa e, os costumes dantes ortodoxos vão ficando para o passado.

INFLUÊNCIA - Quem geralmente é fraco de firmeza, de um modo geral, se deixa levar por tudo que é  jogado nos meios de comunicação. É isso mesmo que está acontecendo mundo afora, inclusive pessoas que se tornam psicopatas porque assistiram a um determinado programa ou filme, outras vão na onda do vício das drogas porque viram alguém fumando um "baseado" num filme americano qualquer, que é o que mais se vê nos filmes produzidos em Hollywood, ou pessoas jovens e inseguras, se tornando adultas antes do tempo e perdendo a criancice e a juventude. Quer dizer, estamos vivendo um mundo de loucuras em que os meios de comunicação tem em parte grande responsabilidade por tais mudanças comportamentais e sociais em todas as partes do mundo. Tem também os aloprados ortodoxos da religião, que acham que a mulher nem o rosto pode mostrar, esses, camaradas, ainda estão no mundo de 5 mil anos atrás, como diria o roqueiro baiano Raul Seixas, que dizia haver nascido há cinco mil anos atrás.

AVANÇAR - Nada mais natural a questão do avanço do mundo. É avanço na genética, na vã tentativa de eternizar a vida humana, é avanço em todos os campos de atividades humanas, principalmente na informática e na revolução dos meios de comunicação, que está sempre à frente de todos os avanços intelectivos da humanidade. Não que não se precise avançar, pois navegar é preciso, o que não se pode é perder o sentimento humano como o que está acontecendo no mundo real em que vivemos hoje em dia. O materialismo existencial está dando lugar ao sentimento, ao ser terno que deveria existir em cada um de nós. Isso é triste que venha acontecendo, mas infelizmente é uma realidade da qual não podemos nos afastar, pois ela é realisticamente verdadeira, embora ninguém possa saber aonde vai desembocar este mundo nessa tão apressada caminhada.

MATERIALISMO - A ganância humana não é de hoje, mas vem ao longo dos tempos, entretanto hoje em dia só se pensa mesmo em se ganhar dinheiro e mais dinheiro para se ter uma vida feliz, quando enganosamente cada um de nós está sendo enganado por uma grande ilusão a que estão nos levando. Se existem muitos acidentes de trânsito hoje em dia, é porque o número de veículos em circulação foi multiplicado por 50, se compararmos os números com o que existia há dez anos passados. Então não adianta tanto se divulgar acidentes e mais acidentes se todo mundo deseja viver no melhor que a vida pode oferecer, o que não é errado, mas que se fatos acontecem é justamente porque está se buscando viver cada vez uma vida melhor e esse melhor pode até vir a se tornar numa grande armadilha para o próprio ser humano, que está presa fácil de valorar em primeiro plano o mundo material, esquecendo que existe um sentimento que deve suplantar o materialismo que existe em cada um de nós.

SENTIMENTOS - Com tanto avanço no mundo material, o sentimentalismo está por um fio. Não mais existe uma relação terna, serena e amável entre as pessoas, daí é que frequentemente estamos vivendo cada vez mais num mundo cruel e violento, onde por qualquer motivo banal o homem tira a vida do próprio homem como se fora um animal no corredor da morte num matadouro. É assim que as coisas estão acontecendo no mundo real das coisas atualmente. Precisamos buscar o sentimento humano que deve sempre prevalecer sobre todas as coisas e esse sentimento, para que possamos nos tornar mais serenos, ternos e humanizados, deve ser buscado em Deus, que certamente neste momento em que escrevo deve estar ao meu lado dando-me inspiração para escrever estas maus traçadas linhas. Que Deus esteja também com quem estiver lendo o meu Blog e que sejamos mais humanos e sentimentais, pois não podemos nos deixar ser engolidos pelo mundo material que nos rodeia. Temos que lutar por um mundo melhor do que esse que nos é mostrado e que presenciamos diariamente nos meios de comunicação, esta é a verdade que queremos em nossas vidas de seres humanos. A gente vê tantos morrendo de fome ainda, a exemplo de parte do Continente Africano e se alguém faz alguma coisa, é muito pouco, para o muito que muitos magnatas tem pelo mundo afora e só tratam de ficarem mais ricos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O TEMPO NÃO PARA E MAIS UM ANO SE VAI DANADO PRA CATENDE


NOÇÃO DE TEMPO É muito difícil se ter uma noção de tempo. Só se sabe mesmo que ele não para e atenta contra aos que se imaginam dono e controlador dele. O tempo é como o trem de Lua Gonzaga que vai danado pra Catende, sem parar, sem estação certa, só se sabe que ele vai, como chegar ou se vai chegar, ninguém pode prever, só se sabe que vai danado pra Catende.

PARECE ONTEM – Até parece que o hoje foi o ontem onde eu era uma mera criança abestada a jogar bola de meia com a molecada. Jogar bola? – Bem não era muito a minha praia, isso por que eu nunca fui na realidade bom de bola. Talvez tenha sido minha frustração maior não jogar uma pelada com os colegas, pois de tão grosso que era, acho que fiquei decepcionado nesse mister e nunca na vida me dei bem com uma bola no pé.

MINHA TIMIDEZ – A marca maior de minha vida de infância, certamente foi a minha timidez. Era um moleque que criado como bicho bruto, tinha vergonha até de chegar perto de pessoas que se diziam importantes na época, até por que, era praxe corrente de que menino não deveria participar de conversa de gente grande. Cresci tímido como os diachos. Ir para São Paulo em 1964, não foi lá de grande ajuda, isso pelo fato de ter sido extremamente enxovalhado pelo racismo e discriminação contra os nordestinos pelos paulistanos, justamos nós, que demos o sangue para erigir àquela selva de pedra. São Paulo foi uma lição de vida, mas não o suficiente. Aprendi muito na vida, quando trabalhei no Banco do Estado de Pernambuco S/A – BANDEPE, mas ainda assim, não foi o esperado em minha vida. Passei a aprender mais e ter mais confiança em mim mesmo, a partir do momento que passei a militar como advogado profissional, apesar dos sapos que o advogado tem que por vezes engolir, embora seja uma das únicas profissões que não tem patrão, tampouco satisfação sobre o que faz profissionalmente, a não ser à bíblia do advogado, o nosso Estatuto e o respeito à Ética profissional.

E ASSIM O TEMPO VAI SE FECHANDO – À medida que o tempo passa, desde o nascimento, crescimento, passagem de tenra idade, da idade adulta, da meia idade e da velhice chegar para o fim da idade, o ciclo de nossas vidas vai se fechando até que nos desencontramos do caminho até então marcado com o peso do dedão de cada pé à medida que se dá cada passo na estrada da vida. É um ciclo irreversível da insustentável leveza do ser. Ser insustentável, leve é o mesmo que não mais existir para o mundo material. É o fim de tudo ou o começo de todo o mistério que pode representar a vida de cada um de nós. Só se sabe que a vida está permeada por uma grande e onipresente incógnita, que se pode chamar de Deus.

PARA OS QUE FECHAM OS OLHOS – A única certeza que realmente se tem da vida, é o sentimento de morte que ronda todo e qualquer vivente. Pior para os que tem consciência de vida e não são como gado no corredor da morte ou uma árvore que é cortada para se fazer madeira de lei para construir móveis de uso doméstico. Na verdade o mundo só se acaba mesmo para os que fecham os olhos. Para os que vão a um funeral, olhar um defunto prostrado inerte num caixão, sem movimento algum, pálido e gélido, tudo é perfeitamente normal. Só não imagina ele que também vira a vez dele em qualquer oportunidade. E isso camaradas, pode ser aplicado para qualquer um de nós, quer seja quem está digitando estas maus traçadas linhas, quer o sujeito que está de olho no Blog lendo esta escrita de vida, de morte e do adeus derradeiro no último piscar e fechar de olhos. Se não se quer morrer, melhor seria não ter nascido, pois o sentimento de morte é dor, é sofrimento em todo e qualquer ser humano que pensa, imagina que vai viver eternamente.

DANADO PRA CATENDE – Mas enquanto o tempo não para, para quem está vivo, vamos todos nós viventes no trem do velho Lua Gonzaga, danados pra Catende, só não se sabe quando se chegar a Catende ou se Catende vai estar lá quando o trem nela chegar. Só se sabe que navegar é preciso, viver não é preciso, a não ser que se chegue algum dia em Catende.

domingo, 13 de novembro de 2011

BUÍQUE DE MINHA INFÂNCIA, MINHAS TRISTEZAS E DE MINHAS SAUDADES


Casa da Paróquia de São Félix de Cantalice, vizinha à Igreja.
            Vivi uma infância de muitas tristezas e sem muitas novidades, afinal de contas, tendo nascido no Sítio Cigano, onde meu pai e minha mãe moravam, zona rural de Buíque, a vida foi por demais severa não só comigo, mas também, com meus pais e demais irmãos e irmãs. Hoje se pode até dizer, que a situação é bem diferente da vivida naquela época de início da década de 50 para a de a de 60, mas o nosso Buíque tinha traços históricos mais marcantes, definidos e bem mais interessantes que os dos dias atuais. Nossa cidade hoje é o resultado de um monstrengo deformado pela especulação imobiliária e da visão usurária financeira de nossos potentados comerciantes, que pouco ou nada estão se lixando para os fatos marcantes da nossa história. 
           No lugar onde  hoje é a Casa de Saúde Senador Antonio Farias, era um acanhado Posto de Saúde de Tracoma, que cuidava dessa doença que ataca os olhos sem dó nem piedade e era muito comum naquela época. Se não  me engano, foi construído na gestão de Dr. Cursino, quando prefeito de Buíque na década de 50. Outro local de atendimento médico não existia. O povo era atendido praticamente pelo único médico da cidade que era Dr. Cursino e existia também um enfermeiro famoso, seu Pereira, que em muitos casos fazia as vezes de médico, inclusive quando o meu irmão Miltinho quebrou um braço, quem fez as vezes de médico foi esse enfermeiro, que ao invés de gesso, colocou o braço de meu irmão envolto por papelão, dependurou-o numa tipoia, e o danado é que o braço foi curado e ficou tudo direitinho no mesmo lugar, além das parteiras que eram quem faziam os partos, como uma preta velha, que fez o meu, lá nas brenhas do Sítio Cigano. Era muito comum nesse momento crucial da mulher, se ouvir dizer comumente, da morte de mulheres por parto, porque a deficiência médica era extremamente precária e inexistente. Hoje tem médicos demais, mas o atendimento ainda continua uma lástima. Coisa grave aqui não se trata, só se for coisa de injeção para debelar alguma dor, se fazer um curativo ou se tomar um comprimido, que muitos ainda chamam de cachete, porque de outra necessidade médica não se cuida.
                Fui um dos viventes de uma época que ainda chegou a conhecer o chamado "barreiro velho", o famoso Açude da Penha, que ficava por trás do Açougue Público, que já arquejava de agonia com tanta sujeira e lixo, que não mais servia sequer para a molecada tomar banho. Também de prédios públicos, cheguei a conhecer a Biblioteca Municipal antiga, que ficava onde hoje é o Fórum de Buíque e, o local do antigo Fórum, que funcionava onde hoje é a Câmara Municipal de Vereadores. Alcancei também a casa onde morou Armando Cursino, que era o dono de um dos dois ônibus que fazia a linha de Buíque a Arcoverde, isso porque, o outro era de seu Zuquinha, de Santa Clara. Só existiam dois ônibus usados como meio de transporte. Armando Cursino, pelo que se dizia não funcionava muito bem da bola e segundo se comenta, costumava dizer, "que não precisava nem segurar na direção do seu ônibus, que ele já conhecia o caminho", pelo fato de todos os dias fazer o mesmo trajeto. A sua casa, que era localizada na rua central e  ficava ao lado da Casa Santo Antônio de Pádua, foi indenizada e derrubada para alargar àquela artéria urbana, porque antes ali, era um beco estreito de poucos metros, somente utilizado para passagem de pedestres, menos de veículos, até por que quase não existiam veículos em circulação na cidade. A mudança veio com o avanço dos tempos e o pequeno beco passou a ser o que é hoje.
          Um dos meios de transportes de Buíque, foi por um certo tempo, as chamadas "marionetes" de seu Zuquinha, meio de transporte coletivo semelhante hoje, digamos assim, aos tipos de "vans", mas com uma aerodinâmica bem característica daquele passado que vivi. Pareciam umas baratinhas. Era um Buíque bucólico, atrasado, em que de escola pública, só existia mesmo a que foi derrubada por Anibal Cursino na década de setenta, que ficava entre a praça Vigário João Inácio e Major França, que fora construída na década de 40 e onde vim a aprender pelas mãos da durona professora primária, Dona Aderita Cursino, que não tinha compaixão de ninguém não senhor, as primeiras letras. Com Dona Aderita, comeu, não leu e não fez direito a lição de casa, o pau e o castigo comia sem dó nem piedade, que era na base da palmatória e ficar de joelhes na parede da frente de dentro da escolha, aproximo do quadro-negro, e de costas para à classe, às vezes até ajoelhado em cima de caroços de milho ou de feijão. Puxões de orelha também não se contavam. Bastava dizer que um coleguinha estava de namorico com um dos meninos, que o cancão piava.    
           Das bodegas antigas e mercearias, as que mais me marcaram foram as de Janjão, que era reconhecida pela sujeira, mas que mesmo assim, se tornara uma característica desse personagem e ficou marcada em minha memória; da de Possidônio Domingos Ramos, que ficava onde hoje é o Mercadinho de Zé de Né; do comércio próspero de seu Pergentino Domingos Ramos, que ficava na avenida coronel Antonio Cavalcanti, onde hoje funciona um pequeno comercio de seu filho Paulinho e de um Salão de Beleza; a bodega de Pedro Peru,  onde hoje mora Berreca num suntuoso prédio novo, na praça Major França. A bodega de Janjão ficava praticamente vizinha à loja de Petrônio, na avenida Antonio Cavalcanti, talvez onde hoje funciona o comércio da viúva Diva, filha de Austriclínio. Outras figuras que nunca esqueço também, são as de Odilon Nopa, Badefu, o conhecido "Féli" Gostoso" , ambos bancantes de jogo do bicho e do Médico que receitava no meio da rua em papel de embrulho, Dr. Zé Cursino Galvão, que foi quem cuidou de mim, quando acometido por uma doença perigosa na época, quando tinha talvez de seis para oito anos de idade e fui curado na base de injeções de penicelina, que doía como os diabos e era preciso de três a quatro pessoas para me segurar na horas de levar a furada na bunda, que eram aplicadas por um guarda sanitarista que trabalhava em Buíque e junto com Expedito Moreira, esposa de minha falecida Tia Astrogilda. Com esse tratamento grotesco, cheguei a me curar e senão vivo fosse, talvez quem sabe, a história de Buíque seria um pouco diferente do que é. Dos personagens que conheci também, tenho muitas lembranças do músico Zé Quidite, dos folclóricos Zé Bolacha, que carrega água de galão, de Zé Comprido, Seba de seu Lau, que além de sapateiro, era ligado e  dava muito incentivo ao futebol de Buíque, entre outros que no momento me fogem à memória. Dos doidos tradicionais da cidade, que toda cidade daquela época, para ser autêntica, tinha que ter um doido ou mais, lembro de Antonio Doido, de Lulu das Covas, que só vivia acobertada por roupas sujas e imundas e tinha e um outro também, que era conhecido como Arlindo Chupetinha e a exemplo de Lulu, só vivia sujo e não tomava banho de jeito nenhum. A vida desses doidos era perambular pela cidade e serem perturbados pelos moleques trelosos da época, coisa que nunca concordei em mexer com gente doente, principalmente com doidos varridos ou com quem quer que fosse. Todos eles dormiam pelas calçadas da praça Major França, menos Lulu das Covas, que ia para o Sítio Covas, daí o seu nome. Cidade pequena também que se praza, tem os seus tradicionais bebuns e os da época, era Antonio de Nanoca e Piano, que só viviam chapados, era vinte e quatro horas no ar. Neville de família nobre de Buíque, não se sabe por qual razão, era outro que todos os dias, às cinco horas da manhã, munido de uma garrafa de pitú, se dirigia para tomar banho na barragem às margens da PE 270, de Buíque a Tupanatinga, e só voltava de a garrafa vazia e de olhos avermelhados e terminava por tomar umas e outras nos bares da cidade.
            Dos políticos de Buíque da época de minha triste e dolente infância, lembro do coronel José Emílio de Melo, Jonas Camêlo de Almeida, Zé Cursino Galvão, Anibal Cursino, João de Godoy Neiva,  e do início do primeiro governo de Blésman Modesto, em 1963, quando tinha tenros 22 anos de idade. De todos esses, só este último continua vivo e gozando de saúde e de uma vida feliz com os seus poucos mais de 70 anos idade e Anibal Cursino que já deve beirar mais de 85 anos de idade. Dos padres que passaram por Buíque, o que mais me marcou foi o alemão, Pe. José Kherler, que era conhecido pela turrice e mau humor, próprios dos alemães, que certa feita, ao ver a sua casa invadida por um menino para colher azeitonas, que existiam muitas onde ele morava, lá na avenida São João, em seu casarão todo emurado, em frente a atual Escola Duque de Caxias, tascou um tiro de sal de pedra na bunda de um moleque, que ainda gerou uma certa confusão, mas ficou depois o dito pelo não dito. O velho padre alemão às vezes me metia medo.
                Foi nesse Buíque bucólico, singelo, mas de gente cruel que existiam muitos na época, sem falar, claro, nas pessoas de boa índole que também existiam bem mais que os maus, que eu nasci, passei parte da infância e guardo nas minhas lembranças uma infância triste, de uma passado inglório, até que meu pai levou cinco tiros, que por sorte não foi alvejado por nenhum deles, que vivi nesta terra e, por isso mesmo, no limiar da minha infância para a adolescência, por esse fato e pela vida pobre e miserável em que vivíamos, fomos forçados a nos debandar para o estado de São Paulo, percorrendo a mesma estrada dos paus-de-arara e dos retirantes, que fugiam da seca braba, para aquele inferno de pedra para tentar melhorar de vida, só que, para mim, São Paulo não passou de mais uma grande frustração em minha vida, mesmo assim, foi mais uma lição de vida que recebi, um aprender e fortalecimento do corpo, da mente e da alma para se lutar, batalhar na vida e vencer. Não posse dizer, como bem o disse Luiz Wilson, arcoverdense que escreveu o livro "Minha Cidade, Minha Saudade", que esse sentimento do grande escritor da terra do Olho D'água dos Bredos, que o dominou para externar esse pensar, seja o mesmo que posso transmitir, mas mesmo tendo passado por uma uma infância vivida com muita tristeza e dor, pelo que me parece, talvez fosse eu feliz e não sabia.
              Hoje nosso Buíque está completamente mais aleijado do que àquele que foi descrito por Graciliano Ramos em seu livro Infância, isso porque, ninguém respeita a história, acabaram com os prédios antigos, a arquitetura fere os olhos de qualquer pessoa, pela feiura e falta de técnica com as construções realizadas e em andamento. É um Buíque onde sequer em determinados lugares se tem calçadas para os transeuntes andarem, isso porque, os donos das casas constroem rampas, degraus, avançam as áreas além do permissivo legal para a ocupação do solo urbano, até mesmo construindo marquises no espaço horizontal, que enfeiam de vez a cidade e pecam por não obedecerem em nada o poder público, que parece fazer vista grossa para esse tipo de violação do patrimônio histórico, artístico e cultural do nosso povo e de nossa memória. Buíque a continuar nessa pisada, no futuro vai ser uma terra prestes a se perder no espaço e no tempo de sua história, isso porque pelo visto, nada vai sobrar, a não ser esse monstrengo que teimam em fazer a cada dia que passa de nossa cidade. Muitas marcas históricas de nossa cidade já se foram, diga-se de passagem, a maioria delas e, a continuar nessa pisada, no final das contas, nada vai sobrar para se contar e mostrar aos nosso pósteros. Até a casa do clã da família cursino, seu Lela, que está na história e na política de Buíque desde fins do século XIX  e início do XX, não mais existe, foi transmutada para um ponto comercial. Por isso mesmo é que tenho muito respeito pelo povo de Pesqueira, da terra do grande escritor e político pesqueirense, Anísio Galvão, que mantém a sua arquitetura no que diz respeito ao patrimônio histórico, artístico e cultural, intactos. Lá ninguém pode modificar a arquitetura de nenhuma das construções antigas, isso porque o poder público tomou as devidas providências no devido tempo, com o tombamento por lei municipal da presentação de sua história, diferentemente do que acontece por Buíque de Félix Paes de Azevedo, nosso fundador desde o ano de 1752, quando veio para estas plagas e doou mil braças quadradas das terras que certamente ganhou do rei de Portugal, para a construção de uma capela a São Félix de Cantalice, como forma de certamente de se redimir de seus pecados e homenagear a si próprio com o nome de "Félix".

MOSTRA DE ALGUNS DOS POUCOS PRÉDIOS ANTIGOS QUE AINDA RESTAM DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE BUÍQUE
Prédio onde era o comércio de bebidas e estivas de Félix de França Galvão, pai de Dr. Waldemir Cursino Galvão, único prédio comercial histórico ainda existente na cidade.
Sede atual de Prefeitura Municipal de Buíque, que foi construído na década de 50 e, neste  local, à falta de um clube na cidade era onde se realizavam os bailes de gala da nata da sociedade buiquense.
Mercado Público Municipal de Buíque, prédio construído na década de 40, que ainda hoje é preservado. Aqui também aconteceram memoráveis bailes e carnavais, em face da inexistência de um clube na cidade.

Nesta casa, morou o ex-prefeito de Buíque, Jonas Camêlo e onde foi morte à traição na década de 70.  Vizinho, na década de 60, ficava o armazém de estivas de Jonas, quando Buíque foi invadida pelos famintos, em que ele distribui alimentos de graça para os necessitados. Depois de algum tempo esta casa passou a ser habitada pelo ex-vereador Austriclínio Bezerra de Andradra e hoje mora familiares seus.


Casa onde morou Dona Maria Emília, mãe de Xéu, ex-Pe. Décio Cursino, Professora Dona Lenira Cursino e demais filhos e hoje, é o nosso Museu Municipal desativado e fruto de uma pendenga judicial, sem que se tenha nenhuma providência do poder público, inclusive do próprio Ministério Público Estadual, podendo desta feita, vir a ser mais bem de valor histórico, artístico e cultural, transformada em mais uma casa comercial.



Aqui um exemplo grotesco de um monstrengo com que fizeram com um prédio histórico de Buíque, onde foi uma loja de tecidos de Osório Galvão até a década de 60 e, acima, no sótão ou sobrado,  funcionava um serviço de auto-falantes o dia todo, que era como se fosse uma rádio que transmitia música, fazia propagandas e mandava recados secretos de amor do tipo: "de alguém para outro alguém com muito amor" e aí se tascava a música numa radiola de 78 rotações nas duas ou três difusoras. Nas épocas de política, era usado para as propagandas políticas da época. Hoje existe esse mondrongo feioso que alterou completamente a história de um prédio que guarda em si muita história do povo buiquense e que querem acabar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ATEAR FOGO NO TERREIRO ALHEIO É MUITO FÁCIL, QUERO VER ATEAR NO SEU PRÓPRIO



        Os pequenos aglomerados de pessoas, principalmente em cidades de pequeno e médio portes, costumam geralmente fazer alarde no terreiro alheio, até mesmo sem saber das próprias razões do porquê está fazendo isso ou aquilo, ou até mesmo fugindo de suas próprias responsabilidades para com os sentimentos alheios, até mesmo para acompanhar a boiada que parte em disparada, porém sem saber por quais razões ou aonde a boiada vai parar. É assim que acontece na vida dos seres humanos. Às vezes até, pouco importa se estão ferindo suscetibilidades ou mexendo com o íntimo, a emoção e paz interior das pessoas, de familiares. O importante mesmo para muitos, é tanger a boiada, pouco importando o que ela possa vir a destruir. O ser humano, seja ele quem for, é dotado de sentimentos e por isso mesmo, sejam em quais circunstâncias forem, merece ser respeitado, pouco importando o que supostamente tenha feito. Deveria existir um pouco mais de respeito com as pessoas e familiares. Conversa que vai, conversa que vem, não passa nada além do que uma mera conversa. Agora minha gente, todo mundo, seja quem quer que seja, merece respeito e ninguém pode fazer um juízo de valor antecipado sobre a vida de ninguém. Só Deus tem esse poder de fazer isso, por que na nossa fragilidade humana sujeita a erros e injustiças, não é dado esse direito a seres vulneráveis como nós. É muito fácil falar isso ou aquilo de alguém, mas a verdade, na qualidade de seres humanos, só a pessoa sabe e a ninguém é dado o direito de julgar ninguém de forma antecipada. Jogar merda na "geni", como naquela música de Chico Buarque de Holanda, é muito fácil. Atear fogo na fogueira alheira também, mas na verdade o que ninguém sabe é da extensão do sofrimento alheio de pessoas quando do enfrentamento de determinadas situações e acontecimentos que pouco ou quase nada se sabe. Simplesmente fazem ilações por meras suposições, nada mais que isto.
          Outra coisa também que a gente nota no seio da humanidade, é a de que, amigo de verdade, que deveria "ser coisa para se guardar", existe mesmo na música de Milton Nascimento, porque no mundo real das coisas, amigo de verdade é coisa difícil de se encontrar, mas vez por outra, não raro ainda se encontra um amigo de verdade.