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BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

HOJE, QUINTA-FEIRA, NOSSO ENTREVISTADO É O ARTISTA MULTICULTURAL, ALEX SOARES DA SILVA, QUE FALA DE SEU TRABALHO, SUAS REALIZAÇÕES E DE SEUS SONHOS E PROJETOS PARA O FUTURO.

PASSANDO a LIMPO – ENTREVISTA COM MANOEL MODESTO



SÉRIE BLOG DE ENTREVISTAS

Nosso entrevistado de hoje, é nosso querido amigo, ALEX SOARES DA SILVA (AS), músico, escritor, letrista, roteirista e artista plástico, sendo estas suas principais atividades. Alex, logo num primeiro momento, pode parecer uma pessoa estranha, arredio, diferente, em face de seu estilo de vida, seu visual que faz lembrar o grande músico do ritmo reggae jamaicano, Bob Marley, do movimento rastafári, mas no fundo, é uma pessoa dotada de um grande conhecimento, de um espetacular dote artístico e, como todo mundo que vive e respira dentro do mundo da arte e da cultura, espera como tantos, um dia ver o seu trabalho ser reconhecido para que enfim, possa vir a ajudar as pessoas que em muitos casos, só precisam de um estímulo, um incentivo, de uma ajuda, só um empurrãozinho e não tem a quem recorrer. Ele é uma pessoa que dentro de sua simplicidade, humildade, tem muito de si a nos ofertar, em termos de arte e de cultura. É uma pessoa, que mesmo tendo nascido noutro lugar, aqui chegando ainda com tenra idade, adotou nosso terrão e fez deste, a sua terra-mãe, o seu cordão umbilical, como diria nosso saudoso Cyl Gallindo. Então minha gente, vamos ao que disse o nosso entrevistado de hoje:

P - MM– Caro amigo Alex, você é de Buíque ou não e, se não, há quanto tempo está em nossa terra?
R – AS – Sou mais um daqueles imigrantes. Aquele tipo de nordestino que nasceu por acidente na cidade de São Paulo. Meu pai é pernambucano de Itaíba e minha mãe é Paraibana e estou aqui em Buíque desde os cinco anos de idade e daqui não mais vou sair, porque considero esta terra, o meu lar.

P - MMComo foi que você se deu conta do dom artístico que domina a sua alma?
R – AS – Desde ainda pequeno, minha avó me presentou com um teclado de brinquedo, aonde vim a aprender as primeiras notas da escala musical, vindo a prender sozinho, pegando as músicas de ouvidos. Sou de veia artística autodidata. Depois de adolescente comecei a participar na igreja católica e lá me desenvolvi mais, montado num teclado de verdade, com mais pessoas que também aprenderam por conta própria e daí, formamos um grupo musical de igreja, chamado Ágape, partindo daí, a minha iniciação e meu gosto pela arte musical, fazendo já nessa época, composições musicais.

P – MM – E esse dom voltado para à escrita e o lado de fazer roteiro de filmes ou documentários, como foi que surgiu em você?
R – AS – Sempre desde pequeno fui fã de desenho animê (desenho japonês), com suas histórias intermináveis e como um bom otaku (fã de desenho japonês), tentava criar minhas próprias histórias, mas desenhar sempre foi um problema, viu! – Porque é muito cansativo. Então um dia eu assisti um filme e minha cabeça virou para outro universo, cujo filme é Sin City, o que me levou a escrever o meu primeiro conto, intitulado Isso Me Bastaria, que virou roteiro de meu primeiro curta, rodado aqui em Buíque mesmo.

P - MM– E a questão da Banda Matutano Reggae, como é que ficou?
R – AS -.Para mim foi um trabalho muito importante, mas infelizmente as circunstâncias e visão dos demais membros, que estavam conflitantes, achei por bem sair do grupo, apesar dessa iniciativa prometer um futuro de glórias. A Banda ainda existe, vão tocar no dia 31 deste mês, na festa do Hallowen, que vai acontecer no Clube Municipal de Buíque e com certeza, lá estarei.

P – MM– Você tem algum projeto futuro para fazer algum documentário ou algum filme aqui em Buíque, aproveitando nossas belas paisagens do Vale do Catimbau?
R – AS -.No Catimbau a gente já fez um filme intitulado PARAÍSO SELVAGEM, ainda este ano, resultado na Oficina Cinema no Interior e que tive participação no roteiro e atuando na condição de ator. Este mês já comecei a rodar minha primeira produção independente, cujo título é MENINA FLOR, que fala sobre vingança e violência, uma ficção de suspense. O roteiro desse filme, cheguei a fechá-lo ontem. Está sendo rodado mais para o lado da Vila do Carneiro.

P – MMVocê se sente realizado mais na arte musical, de autor de roteiro cinematográfico, de letrista ou de artista plástico?
R – AS – Cada uma dessas linguagens, representa uma essência que complementam a alma da gente. Agora do ponto de vista prático, tive mais relevância participava como roteirista, assim como na música também. A gente de certa forma, está interligado com cada segmento artístico-cultural de cada uma dessas vertentes. Passei por diversas bandas, sendo as mais relevantes, Biocídio, aonde cheguei a gravar três álbuns de heavy metal. Aqui em Buíque, toquei numa banda de Rock chamada Jihad, tendo sido praticamente, a primeira banda de roque pesado de nossa cidade, senão provavelmente a única, porque desconheço outras. Por último e não menos importante, foi no Matutano Reggae, aonde gravei e produzi um CD com dez músicas.

P - MM– Nesse CD da Matutano Reggae, você chegou a escrever algumas letras ou musicar algum arranjo musical?
R – AS -.Tive participação como letristas em quatro músicas, a saber: Terra do Sal, Mais Bela, Foi Pro Sítio e Kaia-maná, mas fiz o arranjo em todas elas, juntamente com Gabriel, conhecido como Biel.

P – MM– Por qual razão esse gosto musical com essa mesclagem com o reggae jamaicano de Bob Marley?
R – RD – A música de Boby nasceu no gueto, é a música do gueto. Foi onde cresci, por isso o gosto pela música do reggae jamaicano, que fala da realidade, da carência e da beleza que se esconde atrás dos malefícios da vida da gente. Na verdade, o nosso estilo tem uma mistura de Chico Science, blues, rock, as bandas psicodélicas dos anos setenta, como Ave Sangria, Júpiter e Maçã, o forró de oito baixos de Luiz Gonzaga, entre outros estilos.

P - MM– O que está faltando para você realizar o maior sonho de sua vida?
R – AS – O tempo que passa, que voa, que vem a ser o senhor da razão, mas meu sonho maior é realizar um grande filme, e fazer por onde encontrar meios e instrumentos adequados, para poder modificar a vida de muitas pessoas que precisam de um empurrãozinho, abrindo novos caminhos para as pessoas em seus talentos, aparecendo novos valores e buscar sempre levar entusiasmo para mostrar que nesta vida nem sempre tudo está perdido.

P – MM – Que recado você teria para dar à nossa gente, nossa juventude e nossa terra?
R – AS – O meu recado para à juventude, é assim: não se deixem influenciar por modismos. Procurem se firmar na leitura, não só dos livros, mas do mundo, para poder ser gente e ter uma visão própria da vida de cada um e do próprio mundo onde vivemos. Pra sociedade de Buíque, que tenha mais orgulho de sua terra, de ser barriga-preta da gema e abrir mais os olhos à cultura que vem acontecendo em nossa cidade, que um povo sem cultura, não pode se dizer civilizado.
       
   Bem, é isso aí minha gente! – Finalizamos mais uma entrevista surpresa, na SÉRIE O BLOG ENTREVISTA COM MANOEL MODESTO, com uma figura ímpar, que também está inserida no contexto de nosso movimento cultural, faz parte do Grupo de Leitores Cyl Gallindo e agora, integra também, a recentemente criada e fundada, no dia 23.10.2014, ABLA – ACADEMIA BUIQUENSE DE LETRAS E DAS ARTES, e segundo nos deu a entender, sua maior realização não é se vangloriar e brilhar no pedestal da fama, mas sim, contentar-se-ia em ter tão-somente, o que for bastante e suficiente, para ajudar ao próximo em iniciativas culturais, naquilo de que mais precisam, justamente no incentivo, na ajuda moral e material, para que o nosso povo possa vir a atingir um nível cultural de qualidade e de valor, que segundo ele mesmo, acentuou, “POVO SEM CULTURA, É POVO INCIVILIZADO”, o que é bem verdade e eu emendo com uma frase de minha autoria, o seguinte: “A cultura é a alma da essência do viver”, por isso mesmo, cada pessoa que tenha o seu talento interior, que não espere que as coisas caiam do céu, busquem, corram atrás, lutem, que tudo assim de repetente, pode se abrir para cada um de nós, porque também, de acordo com André Malraux, intelectual francês, “a cultura não se herda; conquista-se”.

4 comentários:

Leonardo Sylva disse...

Não existe uma palavra se quer que defina esta pessoa, ele é um ser humano incrível e infelizmente é descriminado por muitos,mas isso não o dignifica ou desqualifica de nada, pois, as suas qualidades são infindas e só tem a nos engrandecer. Alex Soares como pessoa é muita resenha e torço muito pelo seu sucesso, sinto-me feliz em fazer parte do seu grupo de amigos e sempre estaremos lutando pela nossa valorização cultural.

Paulo Tarciso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Tarciso disse...

Valeu Dr. Manoel. Parabéns pela entrevista. Parabéns ainda mais para o entrevistado. Esse Alex é um artista completo. Gosto dele e da sua simplicidade. Admiro suas composições e torço para seu trabalho seja reconhecido em potencial, não só aqui em Buíque, mas no país inteiro. Ele merece. Valeu Alex!

Werlles Freire disse...

Alex Soares, um grande amigo meu, de muitos anos. Grande artista, de enorme importância para a cultura buiquense. Sua presença garante boas gargalhadas e conversas com alto teor cultural, intelectual e motivacional. Parabéns pela entrevista, e que seu valor seja reconhecido.