QUEM REALMENTE SOU

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BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.

domingo, 15 de outubro de 2017

OFICINAS DO SESC PELO BRASIL EM BUÍQUE


     Estou fazendo mais uma oficina patrocinada pelo SESC-LER de Buíque, dessa vez, sobre dramaturgia. Tendo sempre participado desses eventos de ensinamentos culturais promovidos por essa instituição privada, mantida pelo comércio nacional, que de certa forma, embora de curta duração, cada uma dessas oficinas sempre deixa algo a mais no aprendizado de cada um dos participantes, o que é deveras gratificante.
     Acredito que já participei de umas cinco dessas oficinas, que vem desde literatura, cordel, leitura, como escrever um livro e agora, sobre dramaturgia, iniciado no dia de ontem (sábado à noite), a partir das sete horas. Veio um professor da área, escritor, dramaturgo e roteirista, especialmente para proferir a oficina que vai se prolongar até o dia 17 deste mês (terça-feira), em que nos dará algumas dicas de como formar uma dramaturgia através de um roteiro escrito, encenação e interpretação. É mais um nicho, com toda certeza, de aprendizado para minha pessoa.
       Infelizmente, não só aqui em nossa terra, mas em praticamente todos os lugares, as pessoas, apesar de se ter uma oportunidade, mesmo mínima que seja, de aumentar ainda mais o conhecimento da gente e isso, não sensibiliza nem parte da população, tampouco da estudantada e se fica limitado a menos de dez pessoas cada uma dessas oficinas das quais tenho participado, o que é lamentável do ponto de vista da falta de interesse de nosso povo em querer aumentar um pouco mais os seus conhecimentos em algumas áreas de saber da humanidade, daí que, hoje temos cada vez mais uma multiplicação de mentalidades distorcidas, que sequer aprender a interpretar e perceber o que está acontecendo ao seu derredor, o que é intrigante, sobretudo no estágio político deplorável com o qual nos defrontamos no momento atual.
     Mesmo assim estamos lá. Eu e mais umas seis pessoas e vou até o fim, como tenho feito nas demais oficinas das quais participei. É lamentável que não tenha mais pessoas interessadas e participantes, até porque, o SESC dispõe de uma professor de artes, que veio do estado de São Paulo, a exemplo de uma outra escritora, alguns meses passados, que veio do Rio Grande do Sul, para ministrar uma oficina de como se estruturar uma escrita, um conto, uma prosa, uma poesia.

    Por isso mesmo é que não vamos deixar de ser eternos alienados e muitos de nossos compatriotas por isso mesmo, tem que bater panelas pela ditadura militar, por ou um de seus títeres nazi-fascistas da vida, que possam vir a representá-los e afundar ainda mais o Brasil, ou por um almofadinha qualquer que nunca fez nada na vida, a não ser gozar a vida em Paris, Estados Unidos, especialmente nos cassinos de jogatina, em Las Vegas, os “dórias” da vida mundana, que sequer sabem ser prefeito da maior cidade da América do Sul e quer se tornar presidente. Então minha gente, enquanto estivermos alheios a tudo e a todos os movimentos cultuais, nunca se vai sair desse atoleiro de areia movediça em que o Brasil se encontra. E viva o SESC pelas suas iniciativas culturais!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ERA UMA VEZ UMA DITADURA NO MUNDO DO SÃO NUNCA OU BRASILLIUS DOS CULLHÕES ROUXIUS


   Existiu há muitos anos, um mundo encantado, que era um paraíso, bem distante, mas tão distante, que sequer se encontrava no mapa. O reino era governado por um rei muito bonzinho e uma rainha asquerosa, sua família iluminada, que eram tratados pelo seu povo, como um semi-deus e que nada existia para à realeza, quando ao povo, levado pela suposta beleza, tinha que todos os dias cantar à luz do sol brilhar, para que o rei ficasse alegre e não se irritasse. Até mesmo os bichos, os pássaros silvestres, também faziam parte dessa orquestração harmoniosa implantada na corte do mundo do Brasillius dos Cullhões Rouxius, porque todos tinham a obrigação de ser felizes, pois essa era a vontade e imposição soberanas, divinas, sob o manto do rei. Do mais simples camponês, ao mais abastado aldeão, tinham que esbanjar alegria, porque senão, poderia ter como presente uma sentença condenatória de seu senhor e vir a ser levado à força ou degolado na guilhotina ou no mínimo levado às masmorras putrefatas, porque todos, apesar de todas as fantasias perpetradas pelo trono, tinham que esbanjar alegria, fartura e dar demonstração de que tudo esta às mil maravilhas.
      O reino do Mundo Brasillius, tinha no seu trono o Rei Brasillius I, autodenominado por ele mesmo, era um rei muito bonzinho para o seu povo. Tudo prometia e buscava fazer, para não desagradar seu povo e provocar uma rebelião, porque isso seria ruim, então tinha que impor a sua vontade, a forma dura de governar e o sorriso era uma obrigação constitucional escrita pelo próprio rei e isso, ninguém poderia contrariar. Diariamente, cada morador desse pequeno reinado, tinha que levar mantimentos para a família do rei, como pagamento de proteção de todos e para que, ele pudesse manter a família real e a sua guarda real, que fazia a segurança do reino e de seu povo, com muita sustança e fartura. Ninguém podia dar um piu, senão, era pena de morte na certa e todos tinham que aceitar, afinal um reinado bonzinho, existindo de tudo, quem poderia falar alguma coisa de mal de se ter um semi-deus protetor tão caridoso e voltado para o seu povo, hein!?
     O que ninguém sabia, era que, esse povo vivia na sob mão de ferro do “rei bonzinho”, que fazia de conta que mantinha o seu povo nas melhores condições de vida, mas quem usufruía das riquezas desse reino, era justamente a família real, os bajuladores da corte, os apaniguados e os militares, que lhes davam sustentação. Esse pessoal roubava toda a riqueza de seu povo, pintava e bordava e ninguém podia fazer ou dizer nada, porque senão, ia direto para às masmorras onde seriam torturados com as mais cruéis formas de tortura então existentes, depois ir a um julgamento sumário de pena de morte ou até mesmo, desapareceria do mapa sem ninguém saber, porque ninguém poderia questionar as determinações emanadas do rei e de seus súditos mais próximos.
    Enquanto todos demonstravam que viviam felizes, na verdade, era só aparência para poder suportar algo que era imposto por uma casta de poder e pelo visto, não aparecia ninguém com coragem suficiente para se defrontar com o poder de mando de uma nata social, que fazia de seu povo gato e sapato. Era um regime de realeza duro, inflexível e impiedoso, porém, todos tinham que demonstrar felicidade e alegria para o seu rei, sua família e seus vassalos mais chegados.

     Mas essa felicidade aparente, não poderia perdurar para sempre e por isso mesmo, surgiu um grupo com ideias libertárias e isso, chegou aos ouvidos do rei, que revoltado, dominado com a ira dos diabos, procurou saber através de espiões infiltrados no povo, quem eram esses seus súditos revoltosos, porque teriam com certeza, a pena capital, porém, esse pequeno grupo foi crescendo, se rebelando e não demorou muito, mais da metade da população do pequeno reino, já não era de rir tanto e não aceitava continuar sob o jugo de um reinado corrupto, cruel e demasiadamente impiedoso com o seu povo, que querendo manter no todos encabrestados, acreditava que iria esmagar sem dó nem piedade, os revoltosos e continuar com a sua tirania de uma realeza falsa, plantado de mentiras jogadas de boca em boca por quem estava participando das benesses da realeza e com isso, o povo era quem pagava o pato, porque povo, imaginavam, tem que se submeter a quem pode mais, tem que poder o menos. Não era isso o que se via nas ruas, nos guetos obscuros da noite, onde se conspirava contra essa tirania existente no Reino de Brasillius dos Cullhões Rouxius. O povo rebelou-se, se tornou maioria, chegou ao poder através de seu líder Sem Nome, Chegueratama, para não ser identificado e terminaram por derrubar o rei, sua corja e seus asseclas. Depois disso, coloram todos eles numa fogueira, outros enforcam de imediato e outros ainda, foram levados à guilhotina e seus restos mortais foram deixados por dias, até a fedentina subir, para mostrar ao povo que a realeza imperial e impositiva, fede tanto, quanto o povo e depois os jogaram numa vala comum e a partir desse momento glorioso da derrubada do reino, o povo foi às ruas farrar, rirem, beberem e acreditavam que a felicidade houvera chegado, enfim, a porta de cada morador de Brasillius, que passou a ter o nome de Liberdade. Convocaram eleições, e elegeram o seu líder Sem Nome, Cheguatemara, para ser o novo governante. Chegado ao poder com muita sede no poço, juntamente com o comando principal de apoio, com pouco tempo, a história estava sendo repetida, agora como nome de democracia, porém pelo visto, o povo, que não tinha consciência nenhuma, estava pagando o pato mais uma vez, porque na verdade, seja num conto inventado ou na mais pura realidade, o povo é sempre o saco de pancadas preferido por todos, quer no mundo da fantasia, que na realidade, cuja semelhança com um país que conhecemos, é mera coincidência, embora esse reinado fosse Basillius dos Cullhões Rouxius.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

NASCI EM UM TEMPO QUE LUGAR DE MENINO, ERA DE MENINO E, DE MENINA, DE MENINA, PORQUE ERAM CRIANÇAS, PORÉM DE SEXOS DIFERENTES.


      Claro que os tempos evoluem. Não há como não evoluir tanto do ponto de vista tecnológico, científico, crescimento estratosférico, quanto do comportamento social e moral. Questões que eram tabus há alguns anos, no momento atual, não o são mais, porém existem determinados comportamentos humanos, que não são assim tão facilmente aceitáveis parcimoniosamente, condescendentemente e com facilidade pela sociedade, que ao longo de milhares de anos, aprendeu que pau é pau e pedra é pedra, valores fincados na mentalidade humana e na própria morfologia biológica da vida que nos foi concebida, que não vão mudar de forma alguma, porque é esta a geografia da genética da forma humana com a qual viemos ao mundo. Não estou aqui querendo fazer proselitismo barato para tentar mudar ninguém, tampouco a preferência das escolhas que cada pessoa tem a liberdade de fazer por si próprias, dentro do mundo que no decurso temporal, psiquicamente aprenderam a ver as coisas, o mundo e adquirir esse ou àquele comportamento ou quem sabe, talvez venha até com este embutido dentro do seu ser no momento da própria concepção, mas aí é questão de ordem da composição biológica e científica que não posso, tampouco tenho a capacidade para discutir.
      A questão que quero levantar e que está ganhando acalorados debates, é o problema em voga, que é o gênero das pessoas, sobretudo das crianças, que estão querendo um doutrinamento, que no meu entender, não é possível se colocar isso na prática, porque vai distorcer sobremaneira a mentalidade humana em formação, porque como aprendemos desde que nos entendemos de gente, a nossa capacidade de firmação com o decurso do tempo, vem de conformidade com o aprendizado que recebemos, na maioria dos casos e, ao se descaracterizar esse parâmetro existente de que menino é menino e menina é menino, se igualarmos esse diferencial, de que em sendo crianças, não existem barreiras, então para onde, afinal, estamos caminhando? – Quando era criança, aprendi que brincadeira de menino, era a apropriada e, a de menina, da mesma forma. Brincadeira de menino era bola, caminhãozinho, jogo de bolinhas de gude, de cavalo de pau, entre outras e, de meninas, era de casinha, de bonecas, de panelinhas, entre tantas outras. Agora, querer juntar tudo isso e colocar indistintamente para meninos e meninas, aí, não dá para você proporcionar ao menino, que ele aprenda a distinguir quais das duas brincadeiras é de menino ou de menina, porque aí se está se ferindo uma questão de gênero, que devem receber tratamentos diferenciados, afinal de contas, menino nasce com “pipi” e menina, com “xoxota”. Não acredito que isso venha a preparar bem os nossos jovens para o futuro, porque psicologicamente, vai criar muita confusão na cabeça tanto de um sexo, quanto de outro e isso é inadmissível.
        Acaso venha a ser essa uma doutrinação para igualar todos os gêneros, acredito que o caminho não é esse, porque como dar a um menino um comportamento de menina e vice-versa, hein!? – Não quero aqui com o meu posicionamento, me colocar como uma pessoa hemofóbica, mas acredito que cada um deve dar aos seus filhos o tratamento na conformidade com o sexo com o qual foram concebidos e não de forma igualitária, porque jamais quem nasce de uma morfologia biológica masculina ou feminina, vai deixar de ser menino ou menino, a não ser, por imposição de uma doutrina que grandes conglomerados potentosos mundiais querem impor à sociedade, não se sabe com qual escopo da lógica humana, para transformar homens em mulheres e o contrário. Será que estão querendo o fim da humaninade para a não procriação e acabar com parte do ser humano? – Bem se for essa a intenção, não vai dar certo, a não ser que esteja por trás de tudo isso, algum plano para se mercantilizar fetos in vitro humanos, para ser procriados através de provetas e não da forma convencional, homem com mulher copulando, se amando, fazendo amor e, não quem nasceu com o sexo masculino, porque mesmo fazendo uma incisão cirúrgica para se tornar mulher, uma das coisas que jamais vai acontecer é justamente a procriação, a possibilidade de homem chegar a parir, porque bate de frente com a própria natureza humana. As homoafetivas femininas, poderão ser o alvo da procriação, que com certeza irão despender muitos recursos para gerar uma criança para ser criada por duas pessoas do mesmo sexo.

        Fim de mundo!? – Não, não sou muito de acreditar em final de mundo coisíssima alguma, mas que alguma coisa tem que se mudar, disto não tenho a menor dúvida e essa questão de doutrinação de gênero, tem mesmo que se dar um basta, porque enquanto menino nascer menino e menina, menina, ninguém vai poder mudar isso de forma alguma e criança, tem que ter o tratamento e a oportunidade de brincar e tirar proveito da vida, do jeito e forma que foram concebidas e não como querem impor para a sociedade moderna atual, porque está tudo errado, ou querem mesmo transformar este mundo de cabeça para baixo?

terça-feira, 10 de outubro de 2017

AMERÍCIO, UMA VIDA A SE DAR UM RUMO!


        Por mais que Amerício quisesse, a vida não foi lá muito boa para ele. Isso é coisa desde tenra idade. Não teve jeito. Pelo visto ele não houvera encontrado a paz, a felicidade, o amor, todos esses predicados substantivos que são extremamente importantes para se viver em paz. Até parece que o mundo dele sempre foi conturbado. Nada foi fácil em sua vida. Nem mesmo no amor, ele acertou. Teve família, mas parecia que não ligavam muito para ele, por isso mesmo, ele buscava alento noutros caminhos que ao invés de lhes fazer o bem, só fazia mesmo o mal e trazer dor e sofrimento. Afogava as mágoas em drogas lícitas que lhe tirava do sério. Não gostava de ficar desse jeito, mas em certas circunstâncias, não encontrava outra saída, se bem que, se ele tivesse um pouco de vontade, poderia muito bem sair desse caminho e de algumas más companhias. Aliás, nem companhia ou amizades de verdade ele tinha na vida. Por isso mesmo, de sua amargura de vida. Na verdade só tem amigo, quando algo em troca se tem para dar. Sempre existe um quê de interesse nas relações humanos, sejam afetivas ou de qualquer forma que se possa imaginar.
          Mas do que nunca ele queria sair dessa vida, afinal de contas, o grande prejudicado era ele mesmo. Pessoa fina, de bom trato, requintada. Então por qual razão enveredar, não corriqueiramente, num caminho que não era o dele, hein!? - A muito custo, em sua Maceió onde nasceu, fez o curso de medicina. Era um bom profissional, mas no exercício da profissão, até parecia que sentia a dor dos seus pacientes, como se fora nele mesmo, porque achava o mundo muito injusto e cruel.
       Amerício, redesenhava sua vida. Já não tinha mais muito tempo para consertar tudo, mas pelo menos fazer alguns rabiscos para, quem sabe, ficar para a posteridade, bem que poderia ainda fazer. Acreditava que ainda existia algum tempo. Talvez não o suficiente para fazer alguma grande obra, isso porque, a saúde não lhe ajudava muito, mas queria deixar um grande legado para que os seus familiares um dia, ainda viessem a se orgulhar dele.

            Não era uma pessoa má. Aliás, a maldade não estava na sua índole de ser humano, porque sempre buscou fazer o bem sem olhar a quem. O mal que talvez fizesse, era somente para si mesmo, mas com certeza, ele iria buscar curar essa ferida maligna que só fazia mesmo era lhe atormentar. Vivia num lugarzinho miserável lá pelas bandas do Acre. Estava acostumado. Houvera saído de Alagoas, Maceió, onde nascera e tinha cismado de uma ora para outra e partido para um lugarzinho perdido no Acre, perto de Macapá, tendo ido morar em Santana, um cidade que jamais houvera falar, mesmo assim, simpatizou com o nome e foi parar naquele mundinho distante e miserável. Tinha feito medicina em Maceió e queira ganhar o mundo. Não era mais jovem e por isso mesmo, acreditou que indo para uma cidadezinha la nas “cucuias” dos Judas, pudesse ajudar alguém. Mas sua vida, passou por poucas e boas, mas tinha certeza que iria chegar um dia em que ele não mais iria ser, mesmo que eventualmente, dependente de qualquer malefício da vida. Quando a conseguir uma pessoa para viver, àquela altura do campeonato, com mais de cinquenta anos de idade, tanto fazia. Talvez sair com uma ou com outra, fosse mais cômodo do que conseguir mais uma dor de cabeça na vida e isso, não queria mais problemas do que já carregava consigo. Era a vida de calmaria que buscava. Talvez um de seus filhos, para sua alegria, um dia buscasse-o para lhes fazer companhia, era isso o que mais desejava.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

MEDO DO AMOR E DA MORTE


        A essa altura do campeonato, a gente não era maias para ter medo de nada, mas na realidade objetiva da vida, pelo visto, se tem medo de quase tudo, sobretudo, quando se passou por uma série de coisas no interstício temporal em que se viveu. Mesmo assim, para que ter mede de alguma coisa, de se aventurar, se pouco ou quase nada há para se esperar, hein!
        O tempo, como num estalar de dedos, se foi. Tudo parece que foi ontem. As paqueras, os olhares avassaladores de paixão, de conquistas, a pétala da flor do amor e tudo isso, como que de repente, se esvaiu no zunir do vento, como num passe de mágica e pelo visto, nada restou, a não ser, a infância, parte da jovialidade e alguns poucos bons momentos que ficaram no coração e no interior da gente. Que vida monótona, sem sal, sem gosto, sem tato, é essa que se vive num terceiro momento! – Não que não se queira, mas para viver algo, se tem que voltar à criança que se foi um dia, senão, nada mais restou, a não ser, marcas decrépitas impostas pelo tempo, e tudo se foi assim como que de repente.
        Costuma-se dizer, talvez como um prêmio de consolação, que a terceira idade é a melhor que se pode ter neste curto lapso temporal de vida. Sinceramente, não há como concordar, porque não dá para aceitar passivamente que com rugas marcantes, corpo dolente por dores por todas as partes, doenças intrigantes que aparecem com o peso da idade, então que há se falar em melhor momento de vida, hein!? – Se isso for melhor momento, o interessante era ser criança ou adolescente para sempre. Não envelhecer, os cabelos esbranquecer, as pelancas aparecerem e uma série de coisas, de fatos, próprios da velhice, que nada disso se pode dizer de edificante, para quem está nessa fase de vida. A gente não pode dizer que é a mesma coisa, que não é jamais.

        Primeiramente, o que ficou para trás, o tempo levou para sempre. Nada poderá se reconquistado ou ser como antes, porque tudo passou. Ficou num tempo perdido no espaço do pensamento, nada mais que isto. Então a gente na verdade, está na fase do medo. Medo de viver um novo amor, medo de recomeçar o que não há mais sentido e o principal, medo da morte, que não deveria se ter, porque inexoravelmente, é uma certeza inafastável de quem tem vida e desta, ninguém escapa. Que seja de repente, sofrendo como um dejeto qualquer jogado à sua própria sorte no final da vida, vivendo, vivendo não!, definhando ou sendo manipulado pelas mãos dos outros e até de ninguém! - Então onde essa fase pode ser chamada de melhor idade, hein, minha gente! – Seria de bom tamanho, que alguém viesse dentro de uma lógica, explicar que porra de melhor idade é essa? – Então, ruim por ruim, o menos mal, é viver o tempo que lhe resta enquanto se tem consciência, porque depois que até esta lhes faltar, então você se transforma em um morto-vivo sem saber sequer que existe. Então os nossos medos existem em todos os sentidos. É medo de tudo, mesmo se fazendo de bestas e se dizendo corajosos, mas na verdade, ninguém nessa fase de vida, de decrépitos velhos mofinos, mentindo para si mesmos, acreditando que a criança que existia dentro de você ainda está ali. Pode estar sim, mas simplesmente dentro de você e enquanto consciência de sua existência cada um tiver, senão, tudo se acabou mesmo de vez, mesmo que se esteja só esperando a morte chegar, todo aprisionado numa UTI qualquer, médicos e hospitais lucrando, e o velho paciente, só esperando o último suspiro, para o veredictum final, “olha gente da família, fulano, sicrano ou beltrano, não aguentou, teve uma parada cardíaca, falência múltipla de órgãos e morreu. Ora, quem já está numa UTI, na fase de vida de terceira idade, não pode esperar outro “gran finale”, ou será que pode? – Essa é a face teratológica da vida, na tragédia da morte, inevitável morte!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

OS MEDOS


        Na vida o comum é, de um modo geral, se ter medo de tudo. Na verdade, quando se nasce, já se é fruto do medo. Por exemplo, o temor de um parto malsucedido, de a criança vir à óbito, da parturiente também correr esse mesmo risco, sobretudo, se o parto é realizado através de cesariana e por aí em diante, porque na verdade, todo procedimento médico-hospitalar, por mínimo que seja, já trás embutido, um risco para à vida de qualquer pessoa que se submete a um procedimento dessa natureza, ou até mesmo, ambulatorial. Isso na verdade, faz parte da vida, os medos de nascer, de viver e de morrer.
        À medida que o mundo vai ficando cada vez mais habitado, aí sim, é que realmente, com as sofisticações, os métodos de crueldade que ficam mais precisos e periculosos, os tipos de armas letais que vão surgindo, na verdade, está nos levando a ficar a cada dia, mais aprisionados de nós mesmos, trancafiados dentro de casa, que na verdade, não é da mesma forma, um lugar muito seguro para se abrigar, ainda assim, em casa o risco é menor, se bem que não o afasta, porque a população mundial aumentou estratosfericamente, de forma geométrica, enquanto segurança entre outras necessidades humanas, o avanço foi simplesmente aritmético, daí a fonte cada vez mais num crescendo do medo de tudo.
        O medo também nos chega a nossa própria alma, porque não somos capazes sequer, de tentar viver uma nova vida novamente, porque se tem medo de que tudo volte a ser repetido, por essa razão, tentar outra vez, como diria o aloprado RAUL SEIXAS, não é lá muito reconfortante, principalmente se pairam tantas desconfianças de um ser humano para outro. Não se pode confiar pelo que se viveu no passado, daí o medo da própria vida, de se reviver novamente, por medo, temor do que pode acontecer lá na frente. E de tanto medo, se chega a um ponto, de querer mesmo ficar isolado de vez, porque, como diz o dito popular: “melhor só do que mal acompanhado”.

        Na verdade, temos medo de tudo. Da morte em se fala tanto, mas a única certeza que se tem, é a de que esta, inexoravelmente, um dia vai chegar. Não importa de que estamento social alguém venha a pertencer, porque ela não perdoa ninguém. Todos, querendo ou não, mais dia, menos dia, terão que ir, sem cara feia, a não ser, a da própria morte quando chega, sem dó nem piedade. Nossos medos na verdade, nunca nos deixarão ir adiante daquilo que imaginamos poder fazer, mas o que não se pode, por tais medos, é se deixar de viver, apesar da sombra de nossos próprios medos a nos perseguir diuturnamente, como se fora numa escuridão profunda.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

TEMOS QUE ATURAR MENTIRAS, ÀS VEZES, PARA NÃO PERDER A TERNURA, TAMPOUCO AS ESTRIBEIRAS


        Em nossa profissão de advogado, a gente sempre vai estar se deparando com farsas e mentiras no nosso dia a dia. Uns porque são mentirosos inveterados por formação; outros em face de quererem se manter no pedestal das vaidades e aí, é coisa para quem gosta de aparecer somente para ser foco dos holofotes, mas a realidade de cada um desses militantes do direito, a gente sabe que as suas condutas são aéticas, imorais e tortuosas.
        Quando a gente defende um lado processual, mesmo que seja mentira, mas aí é de nosso constituindo, ao abraçar a causa, se tem que defender a versão por ele apresentada, a não ser que seja extremamente cabeluda, então aí é hora de se dar um freio de arrumação, para que se possa levar adiante a conversa daquela parte que estamos a defender. Isso não significa em dizer, que estamos com a verdade absoluta, mesmo na Justiça, porque se pode transformar uma mentira em verdade e vice-versa e, claro, com a chancela do direito e da funcionalidade da Justiça, se pode perder ou ganhar uma causa. O que na verdade existe é muita manipulação e isso, mesmo aos olhos de advogados, de um juiz de direito e de um promotor de justiça, passa de qualquer jeito, contanto que esteja nos autos, afinal de contas, o que não está nos autos, já determinou o direito, não pode ser levado em consideração, porque não existe para o mundo jurídico, o que é um preceito correto, mas se fatos novos e notórios vierem a surgir, necessariamente, os rumos de um processo tem que ser mudados, senão ao invés de justiça e pacificação social, injustiça flagrante estará sendo feita.
        Nessa nossa área existem também profissionais, até por que a cada dia a tendência é se multiplicar em face de tanta gente nova se formando, vários cursos surgindo de qualquer forma e assim, com toda certeza, vai chegar um tempo, que certamente, vai ter mais advogados do que clientes e aí, não há como se viver única e exclusivamente da profissão. Eu mesmo, se o tempo retroagisse, não faria mais direito, não que odeie a minha profissão, isso não! – Entretanto, pelo que venho observando ao longo desses 27 anos de batente, não há como encarar com seriedade muitos profissionais da área e a profissão em si, que serve mais como suporte, para quem quiser queimar as pestanas durante uns quatro ou cinco anos estudando diuturnamente, para se submeter a um bom concurso público, que ainda é um dos grandes atrativos da profissão, senão, não mais faria direito se o tempo volvesse. Poderia fazer medicina, para salvar vidas, se bem que, é uma profissão também, muito estressante, e que pode deixar muitos desses profissionais, em depressão Crônica, mas isso também, é um mal do advogado, principalmente quando se depara com autoridades que ele tem que manter ligações no dia a dia, pode chegar a um desgaste e vir a passar por esses mesmos males do ser humano.

        No meu caso, não estou mais para brincadeiras, mas sim, agir com respeito, porém sempre combativo, como sempre fui, durante todo esse tempo e não tenho mais muito espaço na linha temporal para poder galgar novos espaços. Não sou daqueles que pode se ufanar em dizer: o que vier é lucro. De forma alguma. Daqui para a frente, não que se possa dizer que se vá viver num mar de calmaria, porque a vida em si mesma, é extremamente agitada, sobretudo para quem não se conforma em ver valores que deveriam ser respeitados, virem a ser vilmente violentados, encarados com leviandade e num mundo em que, mentirosos se tornam verdadeiros e estes, em mentirosos. À bem da verdade, muita coisa se inverteu neste mundo terreno, que ninguém viverá para semente, mas de minhas convicções, mesmo que venha a ser minoria, não posso jamais abrir mão. Vão comigo para aonde tiver que ir!