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BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

UM DIA TAMBÉM JÁ FUI PRESIDENTE DE REPÚBLICA, FATO ESSE QUE MARCOU MUITO A MINHA VIDA

O TEMPO EM QUE FUI PRESIDENTE DE REPÚBLICA
Restaurante da UFPE atual, onde almocei por algum tempo na época em que estudava engenharia.

   Sempre que toco em alguns dos assuntos em particular, relacionados à minha vida, vou buscá-los lá dentro de mim, do meu arquivo do computador da minha memória viva, e coloco emocionadamente, de fatos que vivi e passei em minha vida, no papel (hoje computador). Dentre tantos, em tendo o meu dileto amigo jornalista Muriê Morais, se reportado à sua época de xepeiro, quando estudante na cidade de Recife e, chegou a morar em pensão juntamente com outros colegas, na mesma condição de extremas dificuldades  de vida em que viviam os inúmeros estudantes de fora, que se esforçavam, cada qual em sua épocas próprias, para fazer um cursinho preparatório ou um curso superior na capital pernambucana, poder-se-ia dizer, um ato heroico para quem queria alguma coisa na vida. Para muitos, pelo menos para os que queriam um objetivo de vida e na estruturação de um futuro, a situação era por demais crítica e cruel, diante dos percalços e dificuldades encontrados no meio do caminho de cada formação educacional e intelectual de vida. Já para outros, àquele período, era mais de farra, longe dos pais, gastavam toda mesada antes de terminar o mês, não estudavam e, no final de contas, hoje só sabe mesmo quem viveu, não sofreu e não procurou se preparar até o momento em que chegou, aonde muitos não conquistaram absolutamente nada, em termos de formação de estudos. Foi uma vida assim, que foi para mim em meados da década de 70 para início da de 80, que vivi minha vida como estudante no Recife. Primeiramente cheguei a morar com um grupo, num velho edifício com vários andares e pequenos apartamentos, conhecido por Pirapana, num apartamento no sexto andar, de uma senhora conhecida por Dona Neide, onde tinham quatro beliches e uma cama e nós formávamos um grupo de cerca de doze pessoas. O velho edifício, era composto por lojas nos andar térreo e sobrelojas nos primeiro e segundo andares, era um tipo de conjunto de moradias e pontos comerciais, onde tinha de tudo, desde puteiro, ponto de venda de drogas, de discos de vinil de conjuntos de rock n roll metaleiro, e de uma série de bugigangas de vários outros lugares e partes de outros países. O velho Edifício Pirapama, ficava na avenida Conde da Boa Vista, em pleno centro da cidade do Recife. Era de uma imundície só, de dentro, o cheiro que exalava era de uma podridão insuportável, e vez por outra, dava prego no elevador, que sempre quebrava e o jeito era subir pelos degraus dos corredores, para chegar até o nosso "apertamento", porque para uma média de doze estudantes, era um rebu do cacete. Mas foi assim, que iniciei à minha vida de Estudante no Recife, depois de meados da década de 70, para onde fui fazer cursinho no Radier, o melhor do Recife e, cheguei a passar no meu primeiro vestibular, após terminar os cursos ginasial em Buíque e o científico na Escola Estadual Carlos Rios, em Arcoverde, no período noturno, isso porque durante o dia trabalhava. Depois de entrar no Bandepe, como o primeiro buiquense a prestar um concurso em Buíque, para ocupar um cargo do banco estatal, depois de ano e pouco, foi que resolvi morar em Recife com o objetivo de estudar e fazer um curso superior. Meu sonho era cursar engenharia, isso porque, matemática e física, na época, sem falar da língua pátria, eram os meus fortes, daí o porquê de estudar um curso na área de ciências exatas. Só que, por problemas de outra ordem que chegaram a dar outros rumos à minha vida, não cheguei a concluir esse curso, onde estudei por três anos na UFPE, deixando-o após ter terminado o básico e de já ter iniciado a parte profissionalizante, não tendo, portanto, o concluído. E por alguma razão que minha vida me reservou, terminei por fazer Direito, após prestação de mais um vestibular, em 1985, tendo me formado com muito orgulho, em 1990, sendo escolhido o orador dessa turma.
     Continuando na narrativa do "xepeiro", só sei que, após o início dessa triste primeira morada, nós que morávamos no velho edifício na avenida Conde da Boa Vista, Centro do Recife, resolvemos nos juntar em um grupo formado por uma meia dúzia ou mais pessoas e resolvemos alugar um apartamento para então, formarmos uma república estudantil, foi aí que surgiu um apartamento, no 5º andar, no Edifício Irene, na Rua Gervásio Pires, 211, também na Boa Vista, Centro do Recife, onde como era o mais responsável do grupo, fui democraticamente, escolhido o Presidente da República Estudantil, por isso mesmo, é que um dia na vida, já cheguei a ser Presidente. Antes do Edifício Irene, apareceu um quitinete no Edifício Apolo, na avenida Conde da Boa Vista, mas pela fama e também pelo tamanho de um ovo, não quisemos e foi assim, que terminamos no Edifício Irene, na Gervásio Peres. Como era meio cioso e disciplinado, criei até um tipo de estatuto para que houvesse um certo disciplinamento entre o grupo, quando alguns quisessem estudar e outros não, por que bagunça, barulho e irresponsabilidade, não combina jamais com quem quer realmente estudar. Estudar minha gente, para quem não sabe, é se envolver dentro de si mesmo, se concentrar, entrar em reclusão por vontade própria por um determinado período a cada dia, e meter e entrar de cara nos livros, senão, não se chega a lugar algum na vida. E nisso, eu era bom. Sempre havia desentendimentos entre o grupo, justamente por que, alguns jamais respeitava o direito dos outros que queriam estudar. Na presidência do grupo que achei por bem denominar de Grupo Uni-5, porque foram cinco  os primeiros integrantes da república, depois chegou a uma média de oito e, daí então, passou a ser mais avacalhado. Formavam esse grupo na época, eu, que era o presidente, Almeida (que a gente conhecia por Zezinho), nosso tesoureiro, que na verdade é de origem de Buíque, das bandas de São Domingos, tinha um outro baixinho também das Barracas, que não lembro do nome no momento, mas era acredito que era Tonino, o amigo Antonio Quinto, que só vive no face descendo à lenda na candidata a Presidente à reeleição, Dilma Rousseff, outro amigo também, Donizete Oliveira, o amigo "Dodó", de Itaíba, que hoje é formado em Direito, advogado militante e Assessor Jurídico da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, Albérico Pacheco, que foi ou é Secretário de Turismo de Arcoverde, que costumava nas tardes de domingos ficar fitando como se estivesse dominado por uma êxtase de emocionalidade, debruçado na murada da janela do apartamento e, dizia ele, "que estava fitando os olhos no firmamento para ir de encontro com o olhar de sua amada, a sua namorada, em Arcoverde". Foi na verdade, apesar de alguns desencontros, uma época de ouro, em termos de experiência de vida. Das empregadas que a gente contratava para fazer à limpeza do apartamento chinfrim, nunca demoravam muito, porque tinha um bocado de tarados, que sempre não davam sossego nem sequer para as empregadas, o que hoje seria assédio sexual. Ah!, tinha também um colega baiano, que a gente chamava de "Baiano" mesmo, que era muito estudioso e metódico, que estudava engenharia química, mas era um cara estudioso e só vivia mesmo para os estudos. Morou com a gente também, um jovem conhecido por Marco Bileira, que numa festa junina de Arcoverde, em elevado estado etílico, chegou a cometer suicídio por causa do término de um namoro, fato que depois de algum tempor, veio a acontecer com um outro seu irmão, que foi presidente da OAB, Sub-Seccional de Arcoverde, advogado Augusto Teixeira, que na ocasião em que aconteceu esse fim trágico, era Delegado de Polícia Civil no Estado da Bahia, também se suicidou em elevado estado de embriagues, também por questões amorosas, o que denota um certo desequilíbrio no psiquismo dessa família marcada pela tragicidade. Bileira, ainda chegou a estudar, antes de haver cometido suicídio, parte de engenharia química, na Universidade Federal do Estado da Paraíba.
     Acredito com certa dose de orgulho, os rumos que na minha vida caminhei, quer de trabalhador rural no Sítio Cigano, em Buíque, com tenra idade ainda, uma criança, que se trabalhasse hoje, seria exploração de trabalho infantil, quer como ajudante de pedreiro na minha cidade também, de ajudante geral ou peão de fábrica, em indústrias, no Estado de São Paulo, para onde rumei em 1964, ou seja lá o que tenha feito, ou mesmo na minha vida de xepeiro no Recife, isso minha gente, só me enche de orgulho, porque aprendi no sofrimento e na dor a ser o homem de honradez, de retidão e de dignidade que sou. Tenho orgulho do meu passado e tenho prazer e um ponta de saudades, quando relembro os tempos que foram tão bons e singelos que vivi, que não voltarão jamais, apesar de por vezes, me ver dominado pela dor, tristeza e sofrimentos incomensuráveis. Cheguei mesmo, aqui em Buíque, até a passar fome nos meus primeiros anos de vida, pois não tinha mistura para fazer parte do cardápio familiar, só mesmo farinha e feijão e, arroz e carne, só mesmo nos finais de semana. O interessante é que tem muita gente que como eu, também passou por tudo isso ou ainda pior e, hoje, quer se passar por importante e do tipo "não me toque", mas nesta vida quem não se esforçou, não lutou e não sofreu, passou pela vida sem saber do que ela verdadeiramente é e representar. Por isso mesmo, é que hoje, quando Muriê Morais tocou no assunto de "xepeiro", resolvi colocar para fora só uma partícula do que foi a minha vida de também de um "xepeiro", que um dia chegou até a ser Presidente, não da República Brasileira, mas sim, de uma República Estudantil, a UNI-5, com capital federal na cidade do Recife. Só sei que parte de minha vida foi assim, só sei que sei.

Pirapama monoel modesto eram quatro beliche e uma cama no mesmo quarto o dona da pensão era Neide.kkkkkk

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