QUEM REALMENTE SOU

Minha foto
BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

HOJE, QUINTA-FEIRA, É DIA DA SÉRIE DO BLOG ENTREVISTA - PASSANDO A LIMPO - ENTREVISTA COM MANOEL MODESTO

PASSANDO A LIMPO - ENTREVISTA COM MANOEL MODESTO

SÉRIE BLOG DE ENTREVISTAS

Não poderia deixar de também, nesta minha SÉRIE DO BLOG ENTREVISTA, de trocar ideias vivas, o meu primo, amigo e irmão camarada, Emanuel Wavell Modesto de Albuquerque, mais conhecido como Emanuel Modesto (EM), que ainda na flor da idade, lá por volta de meados, para final dos anos 70 e início dos 80, quando em Buíque, foi criado o primeiro Conjunto Musical, Som Bléss 77. A princípio, a composição do novo conjunto musical, e deste fizeram parte integrantes daqui mesmo de Buíque, entre os quais é de se citar: Carlos de Tatá, baterista, Duda, baixista, Adelson Carvalho e Felinho de Antonio Cabrinha, guitarristas, Sebastião de Clóvis, Paulinho de Clóvis e Mutuca, ambos tocavam instrumentos metálicos, que antes tocavam na OARA – Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, de Beto de Arcoverde, que deram o pontapé inicial desse movimento em nossa terra. Os vocalistas do conjunto então criado à época, eram os cantores Severino Cabeleireiro, Jorge de Clóvis e Mutuca, sendo essa a primeira formação do Som Bléss 77. Depois desse conjunto inicial, veio a ser criado o The Jet Bléss, em 1.980, vindo nesse mesmo ano a ser denominado de SOM BLÉSS SET, passando então para a ser dirigido por Emanuel Modesto até o ano de 1998. Emanuel detinha a direção completa sobre a nova Banda, ao mesmo tempo em que era mesário e cantor, além de outros cantores, que funcionavam também como vocalistas. Nos anos subsequentes à criação do Som Bléss Set, Emanuel fez várias incursões para tocar em diversas cidades, inclusive noutros estados e o seu estilo, era justamente a música popular brasileira, focada sempre na jovem-guarda e isso, sempre era do gosto de todos que sempre lotavam os bailes abrilhantados por esse conjunto que deu tantas alegrias ao povo buiquense e a muita gente por onde o conjunto passava. No início de 1996, quando o forró eletrônico passou a dominar grande parte do Brasil, Emanuel Modesto, levado pela influência de tentar firmar de vez uma banda de sucesso, mudou o nome do Som Bléss Set, que passou a se chamar Casca de Romã, deixou o bom e saudoso estilo de antes e fincou pé no forró estilizado, só que, apesar de ter gravado várias musicas e CD’s, não chegou a se firmar no mercado de grandes nomes do forró, mesmo assim, ainda rodou por vários estados do Brasil com a Banda Casca de Romã, tendo algumas de suas músicas, feito sucesso, em arranjos musicais tocadas por outras bandas de forró do mesmo estilo. Não mais satisfeito com os rumos que a banda vinha tomando e por não parar quase em sua casa e com sua família, resolveu dar um fim na banda Casca de Romã, cedendo o seu nome a uma terceira pessoa, que apesar de ter tentando levar o barco adiante, a banda veio finalmente a ser extinta no ano de 2010, mas foram bandas que marcaram épocas, não só pelo fato de terem sido originárias de Buíque, mas também, por vários lugares onde abrilhantaram várias festas, inclusive como suporte de vários nomes da música nacional. A importância desta entrevista, reside no fato de que, eu além de primo-irmão de Emanuel Modesto, era um fã de carteirinha por onde a banca passasse, como naquela música de Chico Buarque de Holanda, sendo para mim, motivo de relembrar àqueles bons tempos vividos ao som de verdadeiras músicas dos meus anos dourados e que, coincidentemente, foram também os dele ao mesmo tempo, como dirigente e cantor (será que era mesmo cantor!), desta feita, nada melhor que nessa fase de vida, a gente relembrar e falar da história de nossas vidas e daquele dourado passado vivido, sendo de salutar interesse de muita gente, principalmente os mais jovens, que pouco ou quase nenhum conhecimento tem sobre a história do surgimento dessas bandas pioneiras em nossa cidade. Então, relembrando os bons tempos vividos por nós, vamos então, direto ao ponto, certo meu irmão camarada! – Vamos lá relembrar o que vivemos nos percalços do passado de nossas vidas:

P – MM – Caro primo-irmão, vou esquecer um pouco essa questão de parentesco e de amizade que existe entre a gente, e fazer perguntas coerentes com o que vivemos e de logo, gostaria de saber, como foi que surgiu a primeira Banda de Buíque e que participação você teve, e com qual propósito?

R – EM – Bichão, primeiro quero parabenizar você pela iniciativa maravilhosa, em levantar essa curiosidade pelas coisas do passado que Buíque já teve (Que pena!). É até triste relembrar essas histórias porque mexem muito com o meu passado e que não ficou enraizado nos jovens buiquenses. Na verdade a primeira banda sob minha direção foi a The Jet Bléss, criado em março de 1980, através do incentivo incansável de Mutuca e de Paulo Granja, que era baixista da banda, inclusive foi Mutuca que me colocou nessa onda de cantar. Como numa brincadeira, a primeira música que cantei, foi no Circo Irmão Lira, chamada de “Vou Morar com Ela”, de Odair José e, a segunda música, “Negue”, de Nelson Gonçalves. Nessa época eu não dirigia banda alguma, deveria ter por volta de 20 anos de idade, lá por volta de 1978. Daí então, de 80 pra cá, comecei então a dirigir à banda e cheguei a gravar um compacto simples em 81, um LP em 86 e uma produção de outro LP com Moura Rodrigues, em 1987. Lembrar de tudo isso, me enche de sentimentos, a ponto de lacrimejar os olhos. Foi uma época de meus anos dourados e de muitas emoções vividas, que não voltarão jamais.

P – MM Como se deu o fim do The Jet Bléss e como teve início a Banda Som Bléss Set, e por que esse nome dado à Banda? – Quais os integrantes logo no início e em que épocas cada fato aconteceu?

R – EM Eu tinha como sócio um grande guitarrista de Arcoverde, Amauri Herculano, já falecido, e o nome da banda dele, era The Jet Set, por isso mesmo, com o decorrer do tempo, a gente achou que o nome mais adequado deveria ser SOM BLÉSS SET, porque se fez uma junção do “Set” de Amauri, com o “BLÉSS”, do Som Bléss, só acrescendo mesmo o “Set”. A primeira formação da banda, contava com os seguintes integrantes, sob a minha direção: Baterista, Carrinho de Zezinho Dentista, Baixo, Paulo Granja, Guitarra, Cicinho (Cição de Arcoverde), Trombone, Exdrinha, irmão de Mutuca, Piston, Tião de Zé Quidique (Ukaimeike), Tecladista, Zal, Crooner (cantor), eu mesmo, Zal, Cicinho e Paulo. Assistente de Palco, Negurão.

P – MM – Em que você se baseou junto com o conjunto dos demais integrantes, para se focar justamente em música popular brasileira da jovem-guarda e de muitas outras que sempre tocaram e tocam ainda, no coração da gente? – Existem músicas inclusive, que chega até a nos dar um friozinho na barriga e nos encher de emoção, com as lembranças que nos trazem e que não voltam jamais. Não seria o caso de se tentar reviver o Som Bléss Set pelo menos uma vez mais?

R – EM – Veja, as músicas daquela época, sempre que se colocava um repertório, setenta por cento das músicas, eram de minha escolha (bicho, tu sabes que sou romântico!), por isso mesmo, é que quando a gente fazia um show, sempre tocava no coração das pessoas e terminávamos por voltar naquele mesmo lugar por várias vezes seguidas. Até tentei reviver o Som Bléss Set, mas a equipe com a qual queria remontar novamente a banda, não topou a parada e por cima disso, a gente vê que o mercado não está muito receptivo para esse lado de música romântica, porque até parece, que o romantismo está no face, no Twitter, no WhatsApp, no Instragran e eu, no meu vinil. Esses caras, não sabem nem o que é abraçar uma mulher e dar um beijo daqueles! – Só sabem mesmo é mexer com os dedinhos (risos....). Isso é só para quebrar o gelo bicho, mas eu sei que o amor ainda existe e lindo, cara, e como!

P – MM – Sempre, como você sabe, fui fã de carteirinha das coisas de minha terra, tanto é que, não perdia uma festa do Som Bléss Set, ou de Casca de Romã, mesmo morando em Pesqueira, ou quando essas bandas iam tocar em alguma festa daquela cidade ou até mesmo nas cidades vizinhas à Pesqueira, a exemplo de Alagoinha, Venturosa, Sanharó e até mesmo em Belo Jardim. Pra mim, era sempre um motivo de alegria e de grandes farras ver Buíque ali tocando para muita gente se alegrar. Por qual razão você acabou com o Som Bléss Set e em seu lugar, montou a Banda de forró estilizado, Casca de Romã e por qual razão, não veio esta a alcançar o sucesso por você esperado?

R – EM Bicho! – Até parece que tô vendo você, abrindo lá a dança, quando a gente começava a tocar. Às vezes só tinha você e mais quatro ou cinco casais e eu lá triste feito à porra, e eu me perguntava, e daí! – Aí você vinha me dar àquela força lá no palco e isso para mim era muito gratificante. Na verdade a Banda Som Bléss Set, não terminou, mas ficou como suporte da criada Banda Casca de Romã, em que tocava em festas de formaturas, casamentos, de debutantes e nos carnavais. Na verdade, fiquei usando os dois nomes alternadamente. A Banda Casca de Romã não chegou a alcançar o sucesso por mim imaginado, porque na época era muito difícil competir com bandas que tinham rádios sob o seu domínio nas mãos, que facilitaria a divulgação de todo tipo de forró estilizado quer elas viessem a gravar e colocar na mídia, enquanto eu não tinha a devida estrutura financeira para fazer os investimentos necessários para competir com os grandes donos de bandas, que na maioria das vezes, eram também donos de várias rádios ou exerciam forte influência, como acontece ainda hoje. As rádios na verdade, ao invés de ser uma concessão pública, passaram a divulgar tão-somente a quem pagasse, como ainda hoje acontece nos meios midiáticos, até pior do que antes. O lado muito bom de hoje, é que, a gente tem em mãos a internet, que é uma ferramenta de comunicação muito forte, poderosa, talvez até mais do que o rádio e a televisão, porque o acesso é democrático e para todo mundo e partir desse instrumento, é que a TV e a rádio, tem por obrigação de tocar determinados sucessos, que aprecem primeiro na net, como já aconteceu e vem acontecendo com vário grupos e cantores atualmente.

P – MM – Quantos elepês você chegou a gravar da Banda Som Bless Set e quantos CD’s, foram gravados da Banda Casca de Romã? – Alguma das músicas chegou a fazer sucesso e entrou para o gosto popular?

R – EM Bem, o primeiro compacto, não foi tão bem sucedido, mas já o elepê, teve músicas inesquecíveis, como “Meu Caminho”, “Foi Tudo Ilusão”, “Magia do Prazer”, “Não Quero Te Perder”, isso do Som Bléss Set. Já da Banda Casca de Romã, foram gravados 10 (dez) CD’s e as que caíram no gosto popular foram as músicas: “Tempo Perdido”, “Sol do Oriente”, “Não se Vá”, “Loucuras de Amor”, “Preciso de Você”, “Bagagem de um Nordestino”, “Me Ama de Novo”, “Paraíso”, “Amor e Paixão”, “Lembranças”, “Desejos”, “Decepções”, “Te Adoro”, “Razão do Meu Viver”, “Na Cana, No Chão”, “Capaz de Amar”, “Eu nunca Mais Vou te Esquecer”, “Meu Mel”, “Muito Estranho”, “Liga Pra Mim”, “Por Muitas Razões Eu Te Amo”, “Apaixonado Por Você”, Eternamente”, entre outras dentre as mais de 150 músicas que as bandas chegaram a gravar, cujas letras é de vários autores. O que posso dizer, bicho, é que foram músicas que tocaram o coração de muita gente e de nós mesmos que fazíamos parte de ambas as bandas buiquenses. Foi muito bom, prazeroso e gostoso esse velho tempo que não voltará jamais, mas faz parte da vida, né bicho!

P – MM Você era o vocal tanto da Banca Som Bléss Set, quanto também, da Casca de Romã, você se considerava um ótimo cantor para desempenhar esse papel? – Houve uma época, que você inclusive, se achava parecido com o cantor Paulo Ricardo, da Banda RPM, era mesmo, ou gozação dos colegas?

R – EM – Primeiramente, eu fui um cantor por acaso. Pra você ter uma ideia não conheço nada de música, sequer sei dá um tom num violão, mas acredite, a minha vida como profissional tentei fazer tudo com amor e, quando se faz com amor, sai muito mais prazeroso. Foi isso que aconteceu, mas cantor nunca fui. Bicho, naquele tempo a gente tinha aquele cabelo tal, parecido com Roberto Carlos, Paulo Ricardo e, por isso mesmo, tinha esse lado em que eu cantava com amor e tentava copiar o que eles falavam, os seus trejeitos e até o corte de cabelos, o modismo, tudo buscava imitar. Numa certa ocasião lá em Floresta, no Clube 4 de Julho, na época do sucesso “Rádio Pirata”, a turma embaixo fica gritando extasiada, que parecia um grande show e noutra ocasião, lá em Codó, no Maranhão, eu e Carlinhos, pensamos que não era a gente que estava tocando essa tal música, que era reproduzida num trio elétrico. Outra vez foi uma música dos anos 60, que estava passando na Rádio Marano FM, num dia de domingo, no Programa de Mr. Brow e isso aconteceu em Correntes e a gente foi até perto da casa com rádio ligado, que estava tocando essa música e, para surpresa de todos, era o Som Bléss Set (isso me deixa muitas recordações, bichão!). Foram momentos de grandes emoções e de raro prazer.

P – MM – Por qual razão, quando do início de suas apresentações em shows você sempre iniciava cantando um hino da Igreja Católica de São Francisco de Assis, “Oh, Mestre”, depois entrava nas músicas ensaiadas e, no final, sempre terminava com a música “Sultans of Swing”, de Dire Straits? – Sempre gostei dessa música. Até hoje me trás muitas recordações e mesmo cantada por você, com o seu “inglês” arranhado, aí sim, era que o cancão piava na farra. Era demais, meu! – Além dessa interpretação internacional, você cantava também outras músicas, tinha uma italiana, outra francesa, que não lembro, quais eram os cantores e autores, você lembra?

R – EM Manoel, a música Oração de São Francisco, é uma música muito forte e naquele momento eu queria transmitir uma mensagem para quem ia se divertir, para refletir, dançar, curtir e a paz se encontrar entre todos nós naqueles momentos de alegrias. Nem eu sabia que era poliglota e falava quatro idiomas “tão bem assim”. Teve uma ocasião até que em Barra de Guabiraba, que o empresário me perguntou se eu era professor de inglês, mas era porque a gente para copiar uma música em inglês, no meu caso né, passava uns vinte dias para copiar essa música e se copiava do jeito que entendia, portanto, as músicas ou as letras pareciam ser originais. A música que mais demorei a escrever foi a de Dire Strait, que comecei a estuda-la de novembro de 90 e vim terminar de copiá-la em janeiro de 91, a qual ainda tenho a cópia guardada em casa. Tem ocasião que quando fazia muito sucesso em inglês, eu tinha a intromissão de fazer a versão, juntamente com Lúcia Melo, que era a minha auxiliar nessas ocasiões. Essa música de Dire Strait foi a que mais se identificou comigo, porque era bem executada pelos componentes da Banda, que nesta ocasião, quero render minhas homenagens a eles, que foram Chicão, grande guitarrista, Bidé, contrabaixo, Marco Fofão, que hoje está com Fernando e Sorocaba, tecladista, Carlinhos na batera e até hoje eu ainda curto e tem muita gente que dá o devido valor. Alguns acham até que não era eu que estava interpretando àquela música, até mesmo eu não acreditava que era eu mesmo, mas tudo isso foi sem dúvida alguma, um grande marco em minha e na sua história de vida.

P – MM – Houve uma época também, que você entrou no estilo brega, foi mais uma tentativa, ou a motivação foi em decorrência de sentimentos de sua própria vida, podes falar sobre isso?

R – EM – Com certeza, primeiro foi a febre do brega na época e também porque eu sou brega nato, porra! – E daí... – Será que ninguém nunca amou na vida? – Aí o povo chama isso de brega hoje. Os tempos mudam, né bicho! – Até ouvir as músicas românticas hoje é coisa de brega, mas o amor é lindo e ainda continuo torcendo para que isso aconteça para sempre.

P – MM  – Falar desse passado é sofrer duas vezes, ou você não está mais ligado a esse seu passado vivido?
R – EM – Que nada bicho! – O passado não é sofrer, é aprender com os erros e sempre tentando acertar. Quem já não cometeu erros na vida? – Atire a primeira pedra! – Bicho!, meu passado foi lindo demais, uma família maravilhosa, quando falo em família, bicho, é tudo! – Filhos maravilhosos também, que só me dão alegria, minha esposa que me dá muito apoio, as minhas irmãs preferidas, aos meus irmãos que são exemplos de vida e sem falar em tu, porra!, que era o meu conselheiro de paqueras...(risos....E existia isso também, pô, meu!). Também tinha um outro que me dava aval, era Eraldo do saudoso Austriclínio Andrade. No Arizona Bar, a gente se encontrava para falar da resenha do dia, aí entrava Vandelso, Pedro Mariquita, com seus santos milagreiros, Pau-Ferro, entre outros amigos da época e às vezes, até Luis Cláudio de Dêca também. Isso só aos sábados, depois do Cinema de Jurandir. Só sei que farramos muito nessa vida, mas valeu à pena a gente passar por tudo isso. Quero deixar um abraço à toda turma de contabilidade de 1979, que me deixou muitas recordações, que comigo estudou na Escola José Modesto, desde o primeiro ano do ginasial até à formatura.

P – MM – Além de seu lado musical, você também é professor de matemática, como se deu isso e como é essa combinação de matemática com música? – Que recado você mandaria para a nossa juventude de hoje?

R – EM – Veja bicho, o lado musical comecei desde criança, quando eu quebrei a vitrola de Bebé (é Blésman, nome carinhoso da família), que era daquelas de corda. Ela ficava em cima de um móvel chamado bar e botei uma cadeira para subir, pra botar um disco para tocar. Quando comecei dar corda na bicha, levei uma queda da porra, só sei que só me lembro disso e depois tive que botar ela pra tocar com o dedo e comecei a tocar corneta quando tinha uma faixa de 6 para 7 anos de idade, no Ginásio Comercial de Buíque, até chegar a ser instrutor em 1975 para 1976. E sobre a questão de matemática, tem tudo a ver com a minha vida, porque sempre quis estar no meio do povo, e como professor, logicamente, a gente está mais do que no meio do povo, pois está na cabeça dessas pessoas. Como falei no começo, tudo foi por um acaso, até mesmo como professor. Mas tudo isso que fiz, podes crer, foi com muito amor. Por isso bicho, que deixei muitos frutos e muitos amigos nessa profissão que abracei, valeu, que Deus abençoe a todos aqueles que passaram por mim, como alunos, como colegas, como diretores, como chefes, enfim todos. O recado que tenho para a nossa juventude, é o de que, pratiquem o amor, porque o amor faz bem ao próximo, faz bem à saúde, faz bem à vida e a si mesmo e que estudem muito, porque só o estudo pode trazer uma vida melhor e lembre-se de ser o mais humilde possível, em quaisquer que venham a ser as suas profissões, que a humildade é que eleva o homem. A você, primo-irmão, meu muito obrigado por ter me dado essa oportunidade de falar e voltar atrás e lembrar, recordar de meu e de nosso passado vivido, que coisa boa, não, bicho!

         Foi com muita emoção minha gente, que fiz esta entrevista com meu primo-irmão, Emanuel Modesto, não tanto pela proximidade familiar, mas sim, para que ele pudesse falar sobre o seu valor histórico e cultural no desenvolvimento de nosso Buíque, de nossa terra e de nossa gente. O tempo dele, foi também o meu tempo. Vivemos praticamente juntos esse tempo de anos dourados de nossas juventudes, dos gostos pela música, das namoradinhas, das paqueras, das farras que passamos juntos, foi realmente, enriquecedor lembrarmos juntos de tudo isso que na vida passamos e de que, tudo isso não voltará jamais. Por outro lado também, vi na entrevista, uma forma de que, a nossa juventude atual, tenha o devido conhecimento de quem foi realmente os personagens valorativos de nossos movimentos das artes musicais e de outros campos, que poucos tem o devido conhecimento. Então minha gente, nada mais esclarecedor, do que através de uma entrevista destas, buscar se remexer no passado, para que se venha a ter conhecimentos para se fazer o presente e o futuro de nosso povo, da nossa gente e, em especial, de nossa juventude, tão carente de um norte, uma orientação na vida de cada um. Sinceros agradecimentos Emanuel Modesto, meu primo-irmão, pela honra de nos ter dado esses importantes esclarecimentos sobre o seu passado de vida e o seu devido valor.

3 comentários:

Paulo Tarciso disse...

Valeu Dr Manoel. Ótima entrevista. Parabéns também Manoel Wevvel, por trazer a tona tantas recordações dos bons tempos dos anos 70 e 80. Vivi muitas emoções com o Som Bléss Set, inclusive viajei várias vezes com esse grupo. Fez história e valeu a pena reviver tudo nessa entrevista.
Parabéns.

kaline lopes disse...

Painho, o senhor conduziu com maestria essa entrevista, as perguntas bem pertinentes e Emanuel sempre irreverente, pontual e romântico nas respostas. Tempos bons aqueles, em que me lembro, ainda pequenino vendo os adultos se divertindo de modo sadio ao som dessa banda que marcou e deixou saudades....Essa entrevista foi tão boa que deixou um gostinho de quero mais!!!!

Denis disse...

Olá, sou da cidade de Itacuruba - PE e me lembro muito da banda Som Bless Set quando vinha fazer festas aqui no final dos anos 80 e começo dos anos 90, eu gostaria muito de saber como baixar as musicas do LP da banda som bless set e que se possivel peço ao Emanuel que me envie as musicas para o meu e-mail weldeni.pereira@hotmail.com principalmente amigo a musica MEU CAMINHO, ah saudades daqueles bons tempos !