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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

NA MATÉRIA DE HOJE, FALO SOBRE O EX-PREFEITO DE TUPANATINGA, QUE AINDA O CONHECI DE PERTO, JAIME DE MELO GALVÃO, QUE POR DUAS VEZES GOVERNOU A SUA TERRA, ERA UM INTELECTUAL E FOI O ÚNICO PREFEITO BEM MAIOR DO QUE A SUA PRÓPRIA TERRA.

JAIME GALVÃO, O ÚNICO PREFEITO INTELECTUAL BEM MAIOR DO QUE O MUNICÍPIO QUE GOVERNOU, TUPANATINGA
Ele mesmo, Jaime Galvão, então prefeito de Tupanatinga, distribuindo alimentos para à população.

     Fui à Tupanatinga pela primeira vez, ainda compreendida nos limites geográficos de Buíque, por nome de Vila Santa Clara. Até hoje fico a imaginar, quando de sua emancipação, se não teria sido mais bonito, no sentido de se manter suas tradições intactas, se o Município emancipado por volta de 1964, permanecesse com o mesmo nome de Santa Clara, se não teria sido mais bonito. Tupanatinga, que na língua indígena significa ‘Deusa Branca”, não sei se foi a melhor escolha, mas tudo bem. Só sei que, quando lá estive pela primeira vez, por volta de 1962, em plena campanha política de Blésman Modesto para prefeito de Buíque pela primeira vez, contava com meus tenros dez anos de idade mais ou menos. Vi na época, um vilarejo encravado num buraco, dominado por rochas, pedras e de uma esquisitice inimaginável, localizada num cantinho acanhado lá embaixo, sem calçamento e só existia mesmo o centro do vilarejo. Era de uma pobreza de Jó, mas ao se emancipar, veio a crescer, passaram por lá vários políticos e, lembro bem, que depois de nossa estada em São Paulo, entre 1964 a 1972, o prefeito de Santa Clara emancipada, agora Tupanatinga, era Jaime de Melo Galvão. Dessa figura corpulenta, gordo, não muito alto, de estatura mediana, sempre num terno elegante, de fala mansa, andar compassado, muito educado e com um intelecto acima da média para a nossa região, só sei que dele ficou em minha mente fotográfica a figura de um político que vivia preocupado com o seu povo e gozava de muito carisma diante daquela gente de sua época.
        O que mais me marcou na figura humana de Jaime Galvão, como era mais conhecido, foi justamente a característica, de que quando vinha de alguma viagem do Recife, para resolver algum problema de seu município que certamente não contava ainda com dez anos de emancipação, tinha como parada regulamentar obrigatória, o Bar Arizona, aqui em Buíque, de meu irmão Miltinho Modesto e que eu e ele, tomávamos conta da administração do melhor bar de toda a história de Buíque da década de setenta e, quiçá, de toda história, porque um bar nos moldes em que o nosso era montado, nunca mais cheguei a conhecer em nossa terra. Sempre chegava com o seu fiel escudeiro Israel, se não me engano, ex-funcionário da TELPE, que não largava o seu pé. Era como um fiel cão adestrado e amigo de seu dono. Ao chegar em nosso bar, acomodava-se numa mesa, pedia sua bebida predileta, que era whisky e, para Israel, Ron Montilla com coca cola. Sei que bebiam à vontade e quem chegasse por perto, ele também não fazia questão de que a pessoa se servisse e nunca deixou ninguém pagar uma conta. Nesses encontros, vez por outra, chegava também a acompanha-lo à mesa e conversávamos muito sobre a sua vida, seus projetos para Tupanatinga, sua preocupação com o seu povo e sua formação acadêmica no Estado do Rio de Janeiro, onde morou por um certo tempo e, segundo ele, foi naquela estado que se formou em administração de empresas. Ele falava com uma voz firme, enquanto ainda estava bom, mas tinha um vozeirão respeitável e o português fluía corretamente em nossas trocas de conversas. Apesar de origem de família rica na época, que chegou a ser dona de mais de 3 mil hectares de terras na região do Manuíno, ele pelo visto, não se preocupava muito com o riqueza que possuía, mas tinha uma grande preocupação em desenvolver a sua terra que ainda estava caminhando a passos de cágados para se firmar realmente como município recém-emancipado. Lembro bem, que o carro oficial dele, era uma Brasília amarela, que dirigida, não sei bem, se por Israel ou um outro motorista, não lembro, mas era um carro simples, para um homem da envergadura de Jaime Galvão. No meu entender, foi o único prefeito intelectual de Tupanatinga até os dias de hoje. Não cheguei a conhecer outro que tivesse o seu nível de conhecimento, de educação, de tratamento cordial com todas as pessoas, o que não mais tem acontecido nos dias de hoje. Ele viajava muito, mas sempre esteve presente junto com o seu povo de Tupanatinga e suas viagens eram realmente para resolver problemas de seu município, porque apesar do cargo de prefeito, nunca demonstrou ter mania de grandeza. Era um homem de boa aparência e simples.
        Jaime era solteirão e já beirava a casa de 40 para 50 anos e, um fato inusitado em sua vida, foi o de que tempos depois, ter chegado a se juntar com uma empregada de sua própria família e ele, ainda morava com a mãe, num casarão no centro de Tupanatinga, que hoje infelizmente, por também não ter memória o povo daquela terra, é um prédio comercial, pois se ainda existisse a casa em que Jaime Galvão nasceu, morou por maior parte de sua vida e foi prefeito, seria com certeza um referencial histórico para o município, cuja construção vinha desde à época de Vila Santa Clara. Ter se juntado com uma empregada, pelo que me parece, de origem indígena, não foi a princípio, aceito com muito bom grado pela família, mas o que valia mesmo, era o amor que ele sentia por ela. Chegou ainda a ser prefeito de Tupanatinga por duas vezes e pelo visto, deixou alguma marca de suas administrações, pelo menos a sua popularidade junto ao seu povo e sua visão de desenvolvimento de seu lugar, que na época, não se podia fazer muito, em face dos parcos recursos com os quais contava cada município, diferentemente dos dias de hoje. Só sei, que a marca registrada que permanece até hoje em minha mente, é a de um político pautado pelo carisma do qual gozava junto com o seu povo, o seu nível de conhecimento, a sua intelectualidade, o seu gesto de pacificidade, pois nunca soube de seu envolvimento com confusões, porque era um homem de paz, que só queria mesmo o desenvolvimento de sua terra, de sua gente, de tomar o seu whisky junto com seu companheiro de guerra, Israel e sempre com aquele seu jeitão carismático de homem bom, pacífico, ordeiro e com aquele seu característico ar de intelectualidade, uma das marcas registradas do clã familiar, apesar de ricos, todos morreram praticamente na miséria. Jaime, depois que se juntou com a ex-empregada da família, foi morar no Recife, em Boa Viagem, onde tinha um pequeno apartamentozinho, se não me engano, num conjunto de prédios, com nomes de várias cidades interioranas e o dele, por coincidência ou não, era justamente, Edifício Buíque, onde lá estive por algumas vezes, quando namorei uma pessoa de sua família daqui de Buíque. Tenho Jaime como um grande homem de Tupanatinga e, para mim, foi o prefeito mais intelectual que já passou por àquela terra, porque alguns que vieram depois, sinceramente, foram de amargar em termos de ignorância e analfabetismo, da falta de conhecimentos, acontecendo o mesmo em Buíque, em que depois de Blésman Modesto, o único com curso superior que foi prefeito de nossa terra, foi o médico Dr. Dilson Santos, porém antes, já houvera sido governado, na década de 50, por Dr. José Cursino Galvão, que também chegou a ser prefeito de Arcoverde. Jaime Galvão, como praticamente todos os seus irmãos, morreram ainda jovens, mas que foi um político marcante, disso ninguém pode questionar. O que não vejo em Tupanatinga no momento atual, é o culto e o reconhecimento devido, por um político do nível de Jaime Galvão, que pelo visto, está no esquecimento histórico de seu povo e de sua gente, por culpa de um “magote” de políticos analfabetos que tem ocasionalmente permanecido no topo do poder e pior ainda, jamais chegarão sequer a chegar nos pés do que Jaime de Melo Galvão, naquilo que de positivo ele representou para Tupanatinga e seu povo, nos primeiros anos de sua emancipação política de Buíque. Esta é a minha homenagem que ainda guardo na lembrança, do político, do cidadão, do homem pacato, educado, ordeiro e antes de tudo, um amante, que chegou a se apaixonar pela própria empregada da família e sem demonstrar nenhum preconceito, passou a viver os últimos anos de sua vida com o seu grande amor.

Um comentário:

Marcielly Andrade disse...

Um pouco de minha raiz pois o senhor Jaime Galvão de Melo é primo de meu avó Espedito Nogueira de Melo.