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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

CRÔNICA DE UMA ESCURIDÃO ANUNCIADA, O GOLPE DE 1964



           Tinha lá meus 12 anos de idade. De repente, sem ao menos querer ou saber, me encontrava no Estado de São Paulo. Não podia existir coisa pior. Tão jovem, sem saber nadica de nada na vida e me encontrar num mundão que nem sabia de sua existência, isso foi demais para mim.
         Pior é sentir que diante de tudo isso que aconteceu, não sabia muito bem o que se passava. Na TV Excelsior ou Tupi, a gente só assistia, mais e pior ainda, era que tinha que se assistir TV, na casa de um nosso vizinho da família Pinto de Buíque; novelas das antigas, alguns programadas da mesmice de Sílvio Santos e outras porcarias do gênero. Noticiário, quase nada e também, depois que eclodiu o golpe de 64, quase ninguém ouvia nada, por que quem era que se atreveria a dar notícia ruim sobre o regime militar? – Só quem quisesse parar em alguma masmorra da época ou então desaparecer como num passe de mágica.
         No rádio o que mais se ouvia era a música de Roberto Carlos, “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”, grande sucesso daquele enebriante tempo e, tinha uma outra, de Dom e Ravel, que enaltecia o Golpe Militar de 1964, que por isso mesmo, essa dupla, terminou no ostracismo, por ter tido o pecado mortal de enaltecer algo que contrariava à vontade popular.
         A partir de então, quando comecei a entender mais o que representava àquele golpe, foi que fui me conscientizando de que, regime ditatorial não é, e jamais fora o forte em toda a minha vida. Vi de perto, numa escola estadual, já morando na capital daquele estado, um dos líderes à resistência, ser vilmente metralhado. No outro dia soube tratar-se de Carlos Maringhella, que em um fusquinha, carro famoso na época, houvera sido pego e impiedosamente metralhado pelos militares na Vila Zelina. Nunca esqueci disso, porque ainda cheguei a ouvir os repicares dos tiros seguidamente.
         Depois de alguns anos, já de volta ano meu Nordeste, vi também no Recife, então estudante e trabalhando no BANDEPE, a casa na Ilha do Leite, onde morava Dom Hélder Câmara, sempre ser metralhada, para intimidar um religioso que era contra à ditadura e pregava o respeito aos direitos humanos, por isso mesmo, sempre fora vítima de ataques covardes e ameaças da parte dos militares.
         Regime assim, jamais imaginaria viver e alguns ainda pedir esse regime de volta, sinceramente, a mim me parece não saber, não ter discernimento que venha a ser uma ditadura e me deixa triste e envergonhado de ter que conviver com gente que pensa dessa forma. Por isso mesmo, é que sou radicalmente contra ao golpe que querem a todo custo aplicar na presidente Dilma Dousseff, com toda essa onda de corrupção da qual buscam acusá-la, mesmo sabendo-se que ela é uma pessoa íntegra. Muitas dessas pessoas, antes de fazer qualquer movimento em favor de um grupo de sem-vergonhas políticos que estão à frente desse malfadado golpe, deveriam na realidade, leem um pouco mais de história, para ver se refrescam as suas memórias.

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