QUEM REALMENTE SOU

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BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.

terça-feira, 1 de maio de 2012


DIA DO TRABALHADOR
      
       Podeira tomar emprestado o dia de hoje como o meu dia também. Talvez o seja, por que não? - Sou um trabalhador não no estilo convencional de trabalhador da indústria, do comércio, da construção civil, mas sou um trabalhador do ramo de prestação de serviços, não no sentido da acepção da palavra, mas um trabalhador qualificado autônomo que não tem patrão, mas apenas o dever e obrigação de bem cumprir o ofício de profisional da advocacia para o meu constituinte e para àqueles que precisam dos meus préstimos como advogado. Digo que não tenho patrão, por que não estou necessariamente obrigado a aceitar qualquer causa para defender e qualquer assessoria jurídica para prestar, mas quando estou imbuído de minha responsabilidade nunca deixo de cumpri-la seja quais forem as circunstâncias, por uma questão de cumprir com o meu dever de ética profissional e não faltar com as minhas obrigações profissionais. Durante esses poucos mais de vinte anos de profissional autônomo, nunca deixei de cumprir com as minhas funções obrigacionais dentro do que manda o figurino do nosso Estatuto da EOAB. Posso até ter cometido algum lapso, algum deslize, ter dado um passo em falso, mas falha intencional de verdade, jamais. Sempre tive responsabilidade naquilo que sempre procurei fazer.
       Mesmo assim me considero aquele mesmo trabalhador, operário, que derramou o suor nos cuidados rurais com a plantação de um roçado de milho ou de feijão, com a minha família, no Sítio Cigano, ainda moleque de calças curtas; me sinto o mesmo operário que trabalhou de peão na década de 60 para 70, onde derramei muito suor em São Paulo, sendo humilhado e execrado por ser nordestino ou sofrendo chacotices nas escolas onde estudava o ensino fundamental em Ribeiro Pires, Vila Prudente e na Vila Zelina. Não tenho muito orgulho dessa época, não pelo trabalho honesto que desempenhei em fábricas na Vila Cambuci e Vila Ema, para chegar aonde cheguei, mas sim, tinha revolta mesmo era pelos vexames que os que se diziam paulistanos de araque me impunham, me faziam passar, simplesmente pelo fato de ser eu mais um nordestinado tangido da seca, das dificuldades, para tentar a vida com a família no Sul Maravilha. Era esse sentimento que alimentava o meu ego para um dia vencer na vida e ser alguém. Posso não ter atingido por completo a minha meta, mesmo assim, já cheguei o bastante diante das dificuldades que na vida vivi. Se o tempo volvesse, poderia ter sido o que vem entendesse, mas infelizmente o tempo flui como o vento a roçar o meu rosto e hoje já não posso me gabar de ter a mesmo energia, o mesmo espírito de luta dantes existente em minh'alma. 
        As lembranças vem à despeito de hoje ser o dia do trabalhador, não somente daquele humilhado e esperzinhado trabalhador que eu fui na infância, adolescência e parte da maioridade, mas por todos os trabalhadores que honestamente buscam derramando o seu suor, fazendo força, dispendendo o seu trabalhado, às vezes até sem ganhar um salário digno, mesmo assim não se deixa enveredar pelo caminho da malandragem armada, da bandidagem insana e cruel para tirar a vida de seus semelhantes. Claro que no Brasil ainda não se fez a devida justiça ao trabalhador, mas do Governo Lula para cá, muita coisa melhorou. Pode a elite em menor número, mas dominante, tachar o ex-presidente de fisiológico, de maracutaeiro (neologismo que ele mesmo cunhou no nosso vocabulário), envolvido em negociatas com o mensalão para mantar uma bancada em maioria no Congresso Nacional, mesmo assim, foi a partir daí que os pobres brasileiros passaram a viver com um pouco mais de dignidade. Ainda não se chegou ao ideal, isso porque a bandalheira continua de vento em popa, não para de jeito nenhum. Podem criminalizar a legislação como bem entenderem, que não vão acabar com a corrupção deste País, afinal de contas, práticas corruptivas existe desde que o mundo é mundo e ninguém vai acabar com a saúva da corrupção. É mais fácil a saúde acabar com os poucos honestos que existem, do que os poucos honestes ainda na frente de luta, acabarem com a saúva. Parabéns aos nossos honrosos trabalhadores de qualquer matiz de trabalho, não importa, inclusive para nós da classe dos autônomos trabalhadores.

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