Manoel Francisco da Silva, mais conhecido por "Manoelzinho Aleijado", isso porque tinha as duas pernas fisicamente afetadas, andava normalmente, mas com um certo molejo de um lado para outro. O defeito físico de Manoelzinho era congênito. De compleição física de baixa estatura, magro, cabeça grande, mas foi uma pessoa que marcou época na cidade de Buíque. Natural de Itaíba, aqui chegou por volta da década de 60 e de Buíque fez a sua terra mãe e aqui veio a falecer na manhã deste domingo último, vindo a ser enterrado ontem no cemitério local. Era funcionário público municipal aposentado e vivia numa pequena casinha de sua propriedade, praticamente sozinho e sempre gostava de tomar umas e outras na sua solidão de vida. Já na casa dos poucos mais de 64 anos de idade, Manoelzinho já não conseguia praticamente fazer sozinho as necessidades próprias do cotidiano humano e o seu lazer era beber até dormir para acordar e tomar mais umas outras, não que tenha sido essa a vida de Manoelzinho, isso não, pois ele já teve o seu momento de brilho nessa trajetória de sua vida.
Conheci Manoelzinho quando voltei de São Paulo, em 1972, época em que ele ajudava o meu irmão Miltinho no Bar Arizona, que ficava localizado no local onde hoje funciona uma Padaria na Praça Major França, no centro de Buíque, e a partir daí via nele uma pessoa dedicada, sincera e sempre fiel a meu irmão, além de ser inteligente. Nessa época ele era também empresário de eventos e de contratação de artistas para as festas locais e da região. Era uma pessoa alegre, apesar do seu defeito físico de nascença, mas se assim o era não tinha o que fazer, mas simplesmente aceitar. Lembro também que ele ajudou muito o seu primo, Jurandir de João Grosso no Cine Nevada, nas projeções cinematográficas que trazia do Recife, para apresentar no rústico cinema local. Manoelzinho na realidade era uma pessoa eclética nas suas ações de vida e de trabalho. Também chegou a trabalhar com Blésman Modesto, como seu assessor quando este chegou a trabalhar numa empresa de assessoramento à prefeituras e viaja com o mesmo para quase todos os municípios em que prestavam assessoria em gestão pública. Na política também, Manoelzinho se notabilizou porque foi um dos fundados do MDB em Buíque, junto com os finados João Preto e Pedro Salviano e era um fervoroso fã de Marcos Freire. O Encontro lá no andar de cima com essas figuras, certamente vai dar muito o que falar entre elas.
Infelizmente, como na vida ninguém nasce para semente, um dia a gente tem que ir, como Manoelzinho nesse domingo último, ao tomar a sua última dose, adormeceu e não mais acordou e se foi para nunca mais voltar. Morreu sozinho, sem ninguém por perto, não pode sequer dar o último adeus para quem quer que seja. Quando em algumas vezes na casa dele estive para também tomar algumas doses e conversarmos, ele sempre me dizia: "Mané Modesto, se candidate a prefeito de Buíque, porque você é o único homem em quem eu votaria". Ele dizia isso porque com certeza falava com propriedade de suas afirmativas e do caráter de homem digno e sério, que sempre viu na minha pessoa. Manoelzinho, nesse momento derradeiro de sua vida, só tenho a lhe dizer uma coisa: quando chegar presente ao Homem lá de cima, diga que não pecou, mas que apenas procurou viver a vida à sua maneira de ser, sempre com alegria e brincadeiras, principalmente nesses últimos tempos em que esteve praticamente sozinho e isolado do mundo, sem mais poder fazer as suas atividades que lhe deu notoriedade e conhecimento na cidade de Buíque e região. Para Manoelzinho o meu mais puro e sincero adeus.

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