Isso foi coisa de criança, daquelas paixonites agudas. Coisa de menino mesmo. Ainda de calças curtas, flertei timidamente, como era do meu feitio, com uma linda menina aos meus olhos, que me deixou praticamente arriado de quatro. Não sabia externar os meus sentimentos de tão acanhado e dominado pela timidez que era, em minha tenra idade, isso por que jamais houvera sido uma criança extrovertida, mas completamente fechada para dentro de mim mesmo e isso para os primeiros flertes de namoro a minha vida era uma grande aflição. O meu mundo de criança não era escancarado como o de hoje, em que são as próprias meninas que buscam se entrosar ou ficar e flertar com os menininhos. É coisa da evolução dos tempos. Na verdade quem não viveu a sua paixão recolhida na época de infância, hem? - Sei não, mas foi àquele olhar de olhos belos, azuis e nítidos que sempre me deixou saudades, lembranças e um pouco uma sensação de frustração por jamais ter confessado a minha grande paixão por ela. Minha maior tristeza foi a primeira vez em que numa festa popular num dos povoados de Buíque, a vi de mãos dadas com um rapaz conhecido meu. Fiquei deveras incontido de dor e sofrimento.
Estudávamos o aprender das primeiras letras juntos e me deleitava em ficar olhando para ela disfarçadamente. Ela era para mim a menina mais linda de Buíque na minha época de infância. Claro que tinham outras meninas bonitas, mas os meus olhos só existiam mesmo para ela, que parecia que flutuava ao vento como uma pluma entre estrelas cadentes e brilhantes. Era um fervor de sentimento que implodia em meu coração e eu nada dizia, não procurava demonstrar para ninguém, mas ela foi de verdade a maior paixão de a minha tenra idade. Era uma menina de compleição física meio magra, de corpo escultural e loirinha, olhos, não lembro bem se de coloração azul, mas foi uma coisa que povoou o meu mundo imaginário de amor e paixão que nunca cheguei a alcançar em minha vida, daí a minha frustração até hoje quando lembro dos seus olhos nos meus.
Existem coisas passadas na vida da gente, que jamais sai do esquecimento, estão sempre incrustadas na nossa memória de incontáveis megas, e assim elas permanecem para sempre em nosso subconsciente e por vezes lembramos desse passado que sempre teima em vir à tona para nos trazer lembranças de um passado de sonhos que não se realizaram na vida da gente e que não terminam jamais. Evidentemente que hoje, sequer sei aonde se encontra essa musa dos meus sonhos infanto-juvenis, mas sonhar a vida e levá-la como se fosse num sonho, é como uma anestesia para esquecermos das maldades e crueldades que persistem eternamente neste mundo cruel e ingrato, principalmente quando um dia na vida, meus olhos fitavam os olhos dela e jamais cheguei a tê-la em meus braços, a não ser nos nossos sonhos e pensamentos que povoam a nossa mente de forma que não se tem limites, afinal de contas é sempre bom infinitamente sonhar. O que não se pode é sonhar o sonho impossível de se realizar, e ficar a vida toda martelando naquilo que jamais poderá ser seu e em que você jamais poderá realizar o que sonhou e imaginou mentalmente. Existem sonhos na vida da gente que em muitos casos a criança que existe dentro de cada um de nós, sempre reacende para as lembranças do passado como se fosse ontem. O passado que existe dentro de cada um da gente nunca morre, mas permanece armazenado em nossa memória para às vezes nos atormentar e fazer lembrar desse passado que não voltará jamais.

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