A DERROTA NO
PRIMEIRO TURNO DAS ELEIÇÕES
A vida nem sempre é feita
tão-somente de vitórias, mas também, no decorrer da caminhada de cada ser
humano, também de derrotas. Isso vem como consequência de circunstâncias
temporais de fatores impositivos que se apresentam em determinados momentos da
vida e não poderia ser diferente no mundo da política. Em alguns debates que vi,
pude observar alguém dizendo que Marina não estava preparada para disputar uma
eleição presidencial como cabeça de chapa, mas de que houvera se preparado para
ser a vice de Eduardo Campos nestas eleições presidenciais e de que portanto,
chegou ao fiasco em que desembocou. Bem, quando se trata de política, quando se
é persiste, pode vir a chegar uma eleição em que numa outra circunstância apresentada,
as condições poderão ser outras, como foi com Lula, que após ter amargado três
derrotas, na quarta tentativa venceu o seu oponente e se tornou presidente em
duas ocasiões distintas em nosso país e por tabela, ainda fez a sua sucessora
Dilma Rousseff. Então em política, não se pode dizer que uma derrota signifique
uma derrota definitiva, mas sim, uma pausa na vida de cada político, para
repensando a sua vida, sua trajetória no mundo da política, se preparando ainda
mais e, quem sabe, numa outra ocasião adequada, vir a chegar a vencer uma
batalha numa outra disputa eleitoral. Marina Silva, ainda recebeu neste
primeiro turno, um legado de votos, que praticamente repetiu a eleição passada,
de cerca de 22 milhões de votos, o que de certa forma acena de que nem tudo
está indo bem nos rumos da política deste país. Pode ser um número pequeno, mas
significa muito essa quantidade de votos recebidos do povo brasileiro, por isso
mesmo, é que, os passos políticos devem ser repensados, reestruturados com
cuidado, com carinho, para que, quem sabe num próximo embate eleitoral, vir a ser
consagrada uma primeira vitória.
Infelizmente, de forma vil, o jogo contra Marina Silva na
questão de desconstrução de sua imagem ao longo de 50 dias de campanha
política, tanto por parte da Presidente Dilma e candidata à reeleição, quanto de
Aécio Neves, foi permeada por pesados ataques para uma candidatura que partindo
de uma tragédia, em clima ainda de comoção nacional, despontou de um bom índice
numérico de intenção de votos e, em exatos cinquenta dias essa campanha de
tantos bombardeios negativistas, que à candidata Marina Silva, chegou mesmo a demonstrar
fragilidade, não sabendo direito como rebater ou rechaçar à altura e,
deixando-se abater, aparentou-se fragilizada diante de tudo isso, levando
incerteza e indecisão no inconsciente coletivo popular e não deu outra, o que
estava lá embaixo em intenções numéricas de votos, Aécio Neves, que nas
críticas pesadas ambos em que ambos se uniram, e terminaram com essas
estratégias degenerativas que fazem parte do jogo político, a colocar Marina
Silva, numa terceira via na disputa eleitoral e, portanto, fora da disputa do
segundo turno das eleições presidenciais. Isto de certa forma, só veio mesmo a
demonstrar, que o povo brasileiro, diante de tanta desconfiança nos políticos,
fica como um cego em tiroteio, oscilando a sua decisão em questão de dias, de
hora até, principalmente por falta de maiores informações e desconhecimento,
diante de fatos colocados nos meios midiáticos, que tendem a fazer de mentiras
verdades e, destas mentiras. É um jogo de gladiadores, em que se cochilar o
leão come sem dó nem piedade o político que der bobeira na arena da luta
política numa disputa desse naipe. Na verdade, nem tudo que deveria ser
discutido de mais importante, foi colocado em debate, mas apenas trocas de
farpas e de insultos, que em nada contribuiu para conscientizar mais o nosso
incauto eleitor, que muitos atribuem ao povo Nordestino, mas que posso dizer
com certeza, que esta maioria avassaladora está mais concentrada na Região
Sudeste, a exemplo de São Paulo, onde o PT de Lula, não ganha uma eleição
majoritária de governador há mais de duas décadas e também, é nessa região, em
que se elegem as figuras políticas mais folclóricas e patéticas do Brasil, para
representar o nosso povo. Qual a moral que tem essa região do País em que elege
um tipo Celso Russuomano como o deputado federal mais votado do Brasil, só
porque tem um programinha besta numa televisão, em que apresenta uma pontinha sensacionalista
de defesa do consumidor, e Tiririca, o segundo mais votado, além de Paulo Maluf,
que estava em terceiro lugar, embora seus números de votos não tenham sido
divulgados por sua candidatura está em apreciação da Justiça Eleitoral, no STF,
então qual a moral que tem esse pessoal de criticar a nós, nordestinos, hem?
Agora vem o segundo turno, que na verdade, se pode dizer uma
nova eleição, só que, de nova roupagem e mais definida em termos ideológicos,
porque de um lado está o que se pode dizer o representante do bem,
hipoteticamente, na pessoa de Dilma Rousseff e, de outro, o figurante político
representante do mal, Aécio Neves. Nem tanto à terra, nem tanto ao mar, mas que
são duas candidaturas distintas com ideias diferenciadas no que concerne à
forma de condução de um governo, do ponto de vista científico e filosófico, se
deixando, claro, as falcatruas e escândalos de lado, mas vai ser uma briga do
sujo falando do mal lavado, pois em termos de práticas do pragmatismo e do
praxismo político, ambos se igualam e, se Eduardo Campos estivesse na
atualidade no lugar de Aécio, o que por sua garra de grande articulista
político poderia com certeza ser ele, a coisa não seria lá muito diferente não,
mas dentro do mesmo campo das ideias, nada seria bem diferente não senhor. Com
Dilma, o status quo político não muda
em nada na condução do governo da mesma forma que vem governando, tudo na base
do toma lá dá cá, apesar dos avanços sociais conquistados durante esses
períodos de governos do PT, mas na outra mão, vem a ideologia de Aécio Neves,
que é àquela do PSDB, através de uma visão, do que eles chamam de
neoliberalismo de livre mercado de competitividade, que dentro dessa conjuntura
mundial macroeconômica, não se vai mudar grande coisa, a não ser, que ele se
quede para a privatização das riquezas nacionais, como fez o último ícone dessa
corrente que esteve no poder, Fernando Henrique Cardoso – FHC, que no debate do
segundo turno, com certeza vai ser muito citado, principalmente no que de mais
negativo fez durante seus oito anos de gestão, mas também, por seu turno, será
lembrado pelo que de positivo deixou para à Nação, que foi a estabilização da
moeda e controle da inflação, o que possibilitou os governos petistas a
substancialmente nada mudar, a não ser em avanços sociais e educacionais, mas
não souberam encontrar um contraponto eficiente para combater à corrupção, que
ao invés de ser contida, muito pelo contrário, só fez mesmo aumentar
desavergonhadamente. Dentro dessa nova arena de embate, de enfrentamento de
somente dois gladiadores que sobraram, a vitória vai ser conquistada a quem
tiver maior poder de convencimento entre às massas populares, de uma nata
formadora de opinião pública e de quem melhor se sair como protagonista nesse
duelo de titãs, mas que, na minha opinião, de certa forma, se vai dar mais vez
ao pensamento neoliberal como filosofia de governo e de políticas públicas,
tanto internas como externas, caso vença Aécio Neves, mas no substancial, não
vai se mudar muita coisa e, com Dilma Rousseff, será o continuísmo daquilo que
aí está posto. Novidade alguma vai surgir, porque os papeis da república serão
conduzidos pelos mesmos atores principais e nada vai realmente mudar de rumo.
Acreditar que a árvore dos frutos envenenados vai dar frutos sadios, é o mesmo
que acreditar em pernas de cobra, pelo menos é assim que antevejo o futuro
deste nosso Brasil. Na verdade a gente está numa encruzilhada em um mato sem
cachorro, esta é a verdade nua e crua nesse segundo turno das eleições
presidenciais.
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