ESPAÇO POEMANDO
UM DIA DE PASSAGEIRO
DA AGONIA
Manoel Modesto
Um
dia em minha vida
Levantei
logo cedinho
Pensando
na vida estressada
Querendo
colocar o pé na estrada
E
voltar logo para casa
E
voltar à trabalhada
Em
minha corrida turbinada.
Mas
qual não foi o entojo
Que
logo apareceu de repente
Uma
agonia no peito crescente
Se
espalhando pelo meu corpo
Do
lado esquerdo do abdômen
Com
ânsias estranhas que me dominavam
E como
uma fortaleza aguentava
Essa
agonizante dor que meu corpo apertava.
Era
uma agonia insistente
Partia
um pouco e logo se vinha
Era
uma coisa incessante
Que
nesta vida ultrajante
Quisera
me levar como viajante
Mas
como sou um teimoso
Tudo
que vinha de novo
Saia
me livrando daquela foice cortante.
Mas
aquela ansiedade
E o
senhor do tempo passando
A
agonia só ia aumentando
Ficava
eu me inquietando
De
vez em quando o ar apertando
E me
perguntava a Deus
O
que é que está faltando!
Ou
será que tudo está terminando?
Mas
qual não foi o luminar
Lá
em Maceió rodar
Em
hospitais aqui acolá
Até
no do açúcar chegar
E
não mais que de repente
Como
num traço silente
Minha
vida e minha mente
Nas
mãos de Deus e dos Médicos
Foi
salva depois de toda essa agonia.
Fiquei
lá por uns dias
Me
recuperando da agonia
Vivida
naquele dia
Lá
nos idos de dois mil e oito
Mas
quando lembro que podia
Depois
de tanta espera
Fui
que vim a ser medicado
Quando
deveria ter sido mortificado.
Sei
bem com propriedade
Contar
essa história sem saudade
Do
que na agonia e na dor passei
Pensei
nos filhos e chorei
Até
no trabalho político imaginei
Em
uma mudança que sonhei,
Só
não tinha no momento noção
Que
a ocasião era viver e não simplesmente pensar.
Por
isso mesmo é que digo
Hoje
reconheço o que senti
Fico
chocado e de peito dolorido
Quando
vejo algum amigo
Que
sequer sem um recado
Assim
como num piscar de luz
Fecha
os olhos e não mais abre
Foi numa cortada só e à morte o conduz.
Eu
sinto a dor que se fica
Para
quem assim dormita
Mas
quando se vai sem sentir dor
A
morte foi indolor
Melhor
assim que penar
Em
estado triste ficar
Jogado
num mundo até sem falar
Ou
em lentos passos a andar.
Aos
amigos que assim se vão
Com
uma morte tão sem noção
Que
Deus os acolha simplesmente
Em
campo belo e resplandecente
Que
faça da vida da gente
Ter
o valor da semente
Que
nesta vida brotou
E se foi tão repente com o atravancar do coração.
Sei
que sou um sobrevivente
Dessa
vida de agonia
Mas
que tenho buscado todo dia
Vivendo
na paz e harmonia
E
ainda sonhando os sonhos
E
nesse trem ainda realizando e viajando
Pois
viver da estação que ele me deixou
Sou como
um sobrevivente passageiro da agonia.
Se
vivo ainda estou
Foi
um milagre divino
Por
isso não tenho desatino
Esse
foi o meu destino
Que
me deu mais esse desígnio
De
continuar como um destemido
Lutando
na vida como um iluminado
E
desafiando novos caminhos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário