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A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.

domingo, 19 de outubro de 2014

HOJE NO ESPAÇO POEMANDO, UMA POESIA QUE FALA DE MINHA AGONIA QUANDO INFARTEI EM MACEIÓ E FIQUEI COMO UM PASSAGEIRO QUE FAZ UMA VIAGEM EM UM TREM DE UM PASSAGEIRO DA AGONIA, MAS QUE MILAGROSAMENTE É DEIXADO NUMA ESTAÇÃO DA SOBREVIVÊNCIA.

ESPAÇO POEMANDO


UM DIA DE PASSAGEIRO DA AGONIA

Manoel Modesto

Um dia em minha vida
Levantei logo cedinho
Pensando na vida estressada
Querendo colocar o pé na estrada
E voltar logo para casa
E voltar à trabalhada
Em minha corrida turbinada.

Mas qual não foi o entojo
Que logo apareceu de repente
Uma agonia no peito crescente
Se espalhando pelo meu corpo
Do lado esquerdo do abdômen
Com ânsias estranhas que me dominavam
E como uma fortaleza aguentava
Essa agonizante dor que meu corpo apertava.

Era uma agonia insistente
Partia um pouco e logo se vinha
Era uma coisa incessante
Que nesta vida ultrajante
Quisera me levar como viajante
Mas como sou um teimoso
Tudo que vinha de novo
Saia me livrando daquela foice cortante.

Mas aquela ansiedade
E o senhor do tempo passando
A agonia só ia aumentando
Ficava eu me inquietando
De vez em quando o ar apertando
E me perguntava a Deus
O que é que está faltando!
Ou será que tudo está terminando?

Mas qual não foi o luminar
Lá em Maceió rodar
Em hospitais aqui acolá
Até no do açúcar chegar
E não mais que de repente
Como num traço silente
Minha vida e minha mente
Nas mãos de Deus e dos Médicos
Foi salva depois de toda essa agonia.

Fiquei lá por uns dias
Me recuperando da agonia
Vivida naquele dia
Lá nos idos de dois mil e oito
Mas quando lembro que podia
Depois de tanta espera
Fui que vim a ser medicado
Quando deveria ter sido mortificado.

Sei bem com propriedade
Contar essa história sem saudade
Do que na agonia e na dor passei
Pensei nos filhos e chorei
Até no trabalho político imaginei
Em uma mudança que sonhei,
Só não tinha no momento noção
Que a ocasião era viver e não simplesmente pensar.

Por isso mesmo é que digo
Hoje reconheço o que senti
Fico chocado e de peito dolorido
Quando vejo algum amigo
Que sequer sem um recado
Assim como num piscar de luz
Fecha os olhos e não mais abre
Foi numa cortada só e à morte o conduz.

Eu sinto a dor que se fica
Para quem assim dormita
Mas quando se vai sem sentir dor
A morte foi indolor
Melhor assim que penar
Em estado triste ficar
Jogado num mundo até sem falar
Ou em lentos passos a andar.

Aos amigos que assim se vão
Com uma morte tão sem noção
Que Deus os acolha simplesmente
Em campo belo e resplandecente
Que faça da vida da gente
Ter o valor da semente
Que nesta vida brotou
E se foi tão repente com o atravancar do coração.

Sei que sou um sobrevivente
Dessa vida de agonia
Mas que tenho buscado todo dia
Vivendo na paz e harmonia
E ainda sonhando os sonhos
E nesse trem ainda realizando e viajando
Pois viver da estação que ele me deixou
Sou como um sobrevivente passageiro da agonia.

Se vivo ainda estou
Foi um milagre divino
Por isso não tenho desatino
Esse foi o meu destino
Que me deu mais esse desígnio
De continuar como um destemido
Lutando na vida como um iluminado
E desafiando novos caminhos.

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