Já escrevi muitas vezes
abordando esse tema, mas ele é tão vasto que nunca chega a esgotar os assuntos,
pois existem de sobra. Sempre costumo dizer que a vida é como uma planta ou uma
viagem limitada, que tem começo, meio e fim, quando a planta não é contaminada
no seu crescimento ou a viagem, por alguma razão, não chega a se findar por
completo. Algum fator circunstancial da vida, com toda certeza, veio a
interromper esse avançar de ambos e se terminar por não concluir em muitos
casos, o que muito se imaginou que seria capaz de fazer enquanto o crescimento,
amadurecimento e o frutificar durassem ou a viagem da vida. Mas tenho dito
também, que nesta vida, nem tudo que queremos ou pensamos em realizar, chegamos
ao menos à metade, quem sabe uns dez por cento, ainda podemos conseguir e
outros, nem isso chegam a concluir, porque o tempo, senhor da razão, não lhes
deu a devida oportunidade.
Quando a gente é jovem, com todo o sangue a pulsar ávido,
veloz e sem interrupção nas veias, a gente acredita que pode tudo, para, à
medida que o tempo vai passando, já no meio do caminhar ou do crescimento quer
físico ou moral, vai percebendo que impossível será de tudo realizar e isto
infelizmente é uma realidade da qual ninguém pode se safar. Todos que nascem,
obrigatoriamente, fenecem, porque na natureza, como bem o disse Lavoisier, “nada se cria, tudo se transforma”.
Acredito que é a mais pura realidade com a qual nos deparamos. Só não acredito
que a gente tenha uma vida depois que a matéria que nos dá sustentação até quando
pode, depois que do pó de onde viemos, haveremos de voltar. Por outro lado,
sempre fiquei a matutar, a indagar, qual seria a razão desse curto viver, desse
interstício caminhar nessa viagem, senão por alguma lógica em que a gente não
encontra nenhuma explicação, mas que deve ter, isso não tenho a menor dúvida,
porque o mundo não seria o mesmo senão existisse um de nós, por mais bilhões de
habitantes que povoem o Planeta Terra.
Quando estamos ainda na fase de crescimento, em muitos casos
nos descuidamos, acreditamos que temos tempo para tudo na vida, mas quando o
peso da idade vai se quedando do meio para o fim, é que vamos percebendo que
vai tardiamente se aproximando um tempo em que já não se pode fazer muitas
coisas, se bem que, é aí que muitos de nós vem a despertar de que tudo que não
fizemos em um passado recente, se pode fazer no presente de um futuro incerto, que
certamente poderá ou não existir e o que queríamos com certeza, vai ficar
inacabado, uma árvore que não foi plantada, um livro que não escreveu ou um
filho que não teve, mas o sujeito se vai para sempre e nem tudo que quis chegou
a concluir nesta vida e isto, vale para todos, não somente para mim. Para os
crédulos que acham que existe um paraíso puro e belo esperando por cada um,
mais fácil será a aceitação de que, o que fez foi o bastante e suficiente e
morar no paraíso, não existe esperança mais gloriosa e gratificante, o que não
faz parte da minha forma de pensar, pois se existisse esse tão decantado
paraíso, muitos que tem essa certeza, poderiam perfeitamente abreviarem essa
viagem, mas ninguém quer partir para sempre antes que seja obrigado a ir, mesmo
que se viva a pior vida neste penar que é o viver, pelo menos na inquietude de
muitos, que tudo querem e acreditam que tudo podem, quando na verdade, nem tudo
que queremos, podemos de verdade.
Aí é que vem o impiedoso e inexorável ocaso do tempo que não
perdoa ninguém. Quando ele vai chegando, o nosso corpo físico, a nossa massa
carnal, muscular e encefálica, vai sentindo o peso, a mente também começa a
falhar e chegamos a um momento em que a paz não mais poderá ser encontrada e
achamos que ainda, mesmo que trôpegos do andar, ainda assim, acreditamos que
podemos concluir tudo que imaginamos e buscamos nos apressar cada vez mais para
fazer tudo que achamos que poderíamos ter feito e não realizamos, mas aí é que
está a história, o tempo flui cada vez mais e vamos chegando à triste
realidade, que poderemos até tentar fazer o que acreditávamos que poderíamos ter
feito, mas aí, já não há mais tempo e por mais que nos apressemos, vamos
percebendo que esse fluir do tempo é como as águas de um rio, que sempre fluem
para o mar e não tem mais volta. Mesmo assim, teimosos que somos e não queremos
desistir nunca, vamos já nesse por do sol da vida, apressando as coisas para
ver se conseguimos terminar pelo menos os dez por cento que da vida poderíamos
ter realizado e não realizamos e quando a gente chega a um determinado momento,
de forma inesperada, no escurecer profundo do ocaso, o tempo fluiu e não mais
há como terminar o que gostaríamos de ter realizado neste curto lapso temporal
de vida, esta é a mais pura realidade dessa odisséia do viver.

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