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terça-feira, 15 de setembro de 2015

A GENTE VEM SENTINDO AOS POUCOS O PESO DA IDADE E BUSCA APRESSAR MAIS O QUE NÃO SE FEZ E ACREDITA QUE AINDA PODE SE FAZER


   Já escrevi muitas vezes abordando esse tema, mas ele é tão vasto que nunca chega a esgotar os assuntos, pois existem de sobra. Sempre costumo dizer que a vida é como uma planta ou uma viagem limitada, que tem começo, meio e fim, quando a planta não é contaminada no seu crescimento ou a viagem, por alguma razão, não chega a se findar por completo. Algum fator circunstancial da vida, com toda certeza, veio a interromper esse avançar de ambos e se terminar por não concluir em muitos casos, o que muito se imaginou que seria capaz de fazer enquanto o crescimento, amadurecimento e o frutificar durassem ou a viagem da vida. Mas tenho dito também, que nesta vida, nem tudo que queremos ou pensamos em realizar, chegamos ao menos à metade, quem sabe uns dez por cento, ainda podemos conseguir e outros, nem isso chegam a concluir, porque o tempo, senhor da razão, não lhes deu a devida oportunidade.
  Quando a gente é jovem, com todo o sangue a pulsar ávido, veloz e sem interrupção nas veias, a gente acredita que pode tudo, para, à medida que o tempo vai passando, já no meio do caminhar ou do crescimento quer físico ou moral, vai percebendo que impossível será de tudo realizar e isto infelizmente é uma realidade da qual ninguém pode se safar. Todos que nascem, obrigatoriamente, fenecem, porque na natureza, como bem o disse Lavoisier, “nada se cria, tudo se transforma”. Acredito que é a mais pura realidade com a qual nos deparamos. Só não acredito que a gente tenha uma vida depois que a matéria que nos dá sustentação até quando pode, depois que do pó de onde viemos, haveremos de voltar. Por outro lado, sempre fiquei a matutar, a indagar, qual seria a razão desse curto viver, desse interstício caminhar nessa viagem, senão por alguma lógica em que a gente não encontra nenhuma explicação, mas que deve ter, isso não tenho a menor dúvida, porque o mundo não seria o mesmo senão existisse um de nós, por mais bilhões de habitantes que povoem o Planeta Terra.
  Quando estamos ainda na fase de crescimento, em muitos casos nos descuidamos, acreditamos que temos tempo para tudo na vida, mas quando o peso da idade vai se quedando do meio para o fim, é que vamos percebendo que vai tardiamente se aproximando um tempo em que já não se pode fazer muitas coisas, se bem que, é aí que muitos de nós vem a despertar de que tudo que não fizemos em um passado recente, se pode fazer no presente de um futuro incerto, que certamente poderá ou não existir e o que queríamos com certeza, vai ficar inacabado, uma árvore que não foi plantada, um livro que não escreveu ou um filho que não teve, mas o sujeito se vai para sempre e nem tudo que quis chegou a concluir nesta vida e isto, vale para todos, não somente para mim. Para os crédulos que acham que existe um paraíso puro e belo esperando por cada um, mais fácil será a aceitação de que, o que fez foi o bastante e suficiente e morar no paraíso, não existe esperança mais gloriosa e gratificante, o que não faz parte da minha forma de pensar, pois se existisse esse tão decantado paraíso, muitos que tem essa certeza, poderiam perfeitamente abreviarem essa viagem, mas ninguém quer partir para sempre antes que seja obrigado a ir, mesmo que se viva a pior vida neste penar que é o viver, pelo menos na inquietude de muitos, que tudo querem e acreditam que tudo podem, quando na verdade, nem tudo que queremos, podemos de verdade.
  Aí é que vem o impiedoso e inexorável ocaso do tempo que não perdoa ninguém. Quando ele vai chegando, o nosso corpo físico, a nossa massa carnal, muscular e encefálica, vai sentindo o peso, a mente também começa a falhar e chegamos a um momento em que a paz não mais poderá ser encontrada e achamos que ainda, mesmo que trôpegos do andar, ainda assim, acreditamos que podemos concluir tudo que imaginamos e buscamos nos apressar cada vez mais para fazer tudo que achamos que poderíamos ter feito e não realizamos, mas aí é que está a história, o tempo flui cada vez mais e vamos chegando à triste realidade, que poderemos até tentar fazer o que acreditávamos que poderíamos ter feito, mas aí, já não há mais tempo e por mais que nos apressemos, vamos percebendo que esse fluir do tempo é como as águas de um rio, que sempre fluem para o mar e não tem mais volta. Mesmo assim, teimosos que somos e não queremos desistir nunca, vamos já nesse por do sol da vida, apressando as coisas para ver se conseguimos terminar pelo menos os dez por cento que da vida poderíamos ter realizado e não realizamos e quando a gente chega a um determinado momento, de forma inesperada, no escurecer profundo do ocaso, o tempo fluiu e não mais há como terminar o que gostaríamos de ter realizado neste curto lapso temporal de vida, esta é a mais pura realidade dessa odisséia do viver.

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