Exatamente na data hoje,
numa quinta-feira, por volta das dez horas da manhã, nos reuníamos na Câmara
Municipal de Vereadores de Buíque, para fundarmos e criarmos a Academia
Buiquense de Letras e das Artes – ABLA. A ideia surgiu de minha cabeça, que já
de há muito tempo sonhara em criar uma entidade cultural representativa e sem
fins lucrativos, em nosso município, mas com alcance regional e quiçá,
universal, como de fato está estabelecido nas normas estatutárias de nossa
entidade.
A coisa não foi lá muito fácil, mas ao conversar com Paulo
Tarciso, Eudes França (Mutuca), Rilke Vieira, parte do Grupo de Leitores Cyl
Gallindo, entre outros amigos, nos juntamos e viemos finalmente a criar a nossa
instituição cultural privada sem fins lucrativos. Tínhamos muitos planos, como
ainda temos e, nenhum deles se esvaneceu, porque somos insistentes e de nunca desistir
da luta. Fizemos o que pudemos nesse incipiente espaço de tempo. Não pudemos
fazer tudo que planejamos, mas dentro do possível, chegamos a realizar o
suficiente para dizer que viemos para ficar e aqui estamos.
Percebemos a má vontade tanto de alguns dos próprios membros
que se juntaram a nós há exato um ano atrás, quanto da própria iniciativa
privada em nos ajudar a manter algo de salutar importância para o
desenvolvimento cultural de nossa gente e, quanto ao poder público, esse nem se
fala, permaneceu inerte e, só chegaria a de alguma forma ajudar, se acaso a
Academia de Letras e das Artes Buiquense, fosse um cabedal, uma extensão do
Poder Público Municipal, o que não tem nada a ver, porque a entidade em si, não
tem segmento político-partidário a seguir, a não ser o de se voltar para o
próprio desenvolvimento da cultura de nossa gente e de nossa terra.
Fundar a entidade cultura acadêmica, para nós buiquenses,
podem olhar direitinho, foi um grande feito, um grande avanço, pois em nossa
região não existe nenhuma instituição desse porte voltada para à cultura, às
letras e às artes, a não ser no município de Pesqueira e assim mesmo, limitada
geograficamente, e apesar de sua existência há mais de dez anos, nem sequer uma
sede ainda tem, mas lá, o movimento cultural é bem maior do que o nosso, mesmo
assim, não tem o olhar que merecia por parte tanto da iniciativa privada,
quando do poder público. De qualquer forma, fomos o diferencial da cultura em
nossa região, pois até mesmo Arcoverde, veio a ficar enciumada por nos
encontramos historicamente nesse quesito, na sua dianteira.
Até parece que para os políticos e os poderes públicos de um
modo geral, a cultura é um mal maior que deve ser extirpada como um câncer, e
não estimulada, por que a atividade cultural, desperta o saber, o entendimento,
a inteligência e isso, torna o cidadão livre, liberto e não submetido às
amarras de interesses escusos de quem quer que seja, porque a cultura liberta o
ser humano e é muito difícil qualquer coronelzinho de araque chegar a entender
a liberdade de alguém que chega a aprender a discernir o certo do errado.
Durante esse curto espaço de tempo, implantamos em parte, o
Projeto Cultura na Feira e nos Bairros, promovemos a campanha “Doe Um Livro”,
para coleta de livros para formação de nossa biblioteca, participamos de
algumas atividades culturais, trouxemos um escritor para proferir uma palestra,
entretanto, no meio do caminho, tivemos que interromper o andamento do que
havíamos planejado, por falta de recursos, de ajuda, quer da iniciativa
pública, quer da privada e até mesmo, por parte de nossos integrantes, os quais
muitos não entendem que sem as contribuições mensais, entidade alguma pode
sobreviver. Não fundamos uma mera associatividade com finalidades espúrias, mas
sim, uma entidade com objetivos claros, definidos e acima de tudo, vem sendo
gerida por pessoas sérias, honradas e honestas, que só querem o bem e o desenvolvimento
cultural de nossa terra e por isso mesmo é que a semente foi plantada há
exatamente um ano e, vem crescendo e já dando os seus frutos, mesmo enfrentando
toda a sorte de dificuldades e de adversidades.
Na data de hoje, apesar de todos os percalços até agora enfrentados,
mesmo assim, temos muito a comemorar. Por isso mesmo é que a partir das sete
horas da noite, no Salão Nobre do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais
de Buíque – SISMUB, teremos uma comemoração simples, porém de coração, ocasião
em que teremos uma palestra sobre a fundação de nossa própria entidade cultural
e sobre o escritor Graciliano Ramos, homem nascido em Quebragulo, Alagoas, mas
que veio a despertar a sua verve intelectual em nossa terra e, se vivo fosse,
neste dia 27, faria 123 anos e, também o seu livro Infância, autobiográfico, está
fazendo 70 anos de publicação. Nos festejos estão incluídos também recital de
poesias e de cordel, música ao vivo, a entrega de diplomas aos primeiros
imortais buiquenses e de certificados para todos os membros acadêmicos, sejam
quais forem as suas categorias em que estejam inscritos como membros da
entidade cultural. Então temos muito a comemorar. Esperamos que as pessoas compareçam,
conheçam nosso trabalho e venham a participar desse evento, porque só assim, poderão
nos dar a força motriz para que possamos dar continuidade com mais garra, tenacidade,
na nossa luta de firmar de vez a nossa entidade cultural em Buíque. Qualquer
pessoa, mesmo fora de Buíque, pode se tornar um membro de nossa entidade
cultural, pode colaborar com o nosso trabalho, que não tem fins lucrativos, independentemente
do lugar onde resida, porque nosso Estatuto assim o permite.

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