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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

NINGUÉM SE PREPARA PARA A VELHICE E O QUE VEM DEPOIS



    Nascer é uma realidade e um privilégio de poucos. Sortudos! – Quem sabe! – Talvez! – A realidade é que nascemos, crescemos, buscamos nos preparar para à vida, quando adquirimos desde cedo, conscientização para isso, mas jamais procuramos dar uma olhada para nos prepararmos para aceitar à velhice. Na fase áurea da juventude, quem quer saber de velho! – Ora, sou jovem, velho que se dane, imaginam muitos! – A juventude, é como a flor de Lácio, conforme se referiu o poeta brasileiro Olavo Bilac, ao se referir à nossa língua portuguesa, na sua originalidade vulgar e pura, mas nem sempre o que vem pela frente, pode ser assim conceituado poeticamente.
   Na vida enfrentamos muitos percalços, que na juventude, parece que jamais surgirão e de que tudo será fácil e resolúvel no decurso do viver e que, chegar à velhice, é pura invencionice do tempo que a ninguém virá a atingir, principalmente na fase dócil, bela e pueril de quem se vê na flor da idade, que passa tão rápido, que sequer a gente percebe que o tempo está fluindo e a gente, se acaso não for atropelado antes pelo trem da última estação, com certeza chegará inexoravelmente às rugas, às dores insuportáveis, doenças inimagináveis e todas as mazelas próprias dessa fase de vida. O que ninguém imaginava dantes, vem de forma veloz e voraz, acabando de vez do que o que antes acreditávamos imutável para séculos sem fim amém.
  O que muitos não procuram saber na vida e até zombam de quem envelhece, é que esse percurso ditado pelo ciclo vital, deverá ser percorrido por todo e qualquer ser vivente, porque na verdade ninguém fica para semente ou para contar a história. O que na verdade fica mesmo, por exemplo, pode ser um texto como este que estou escrevendo, algum bem material para ser disputado por quem vai suceder alguém, que, se não bem preparado para se ter uma visão de grandeza de mundo, vai se peitar ferozmente com os próprios de seu sangue, por algo que na verdade nada tem valor, que são bens materiais, quando deste mundo se parte para algum lugar ou lugar nenhum, ninguém sabe ao certo, mas que muitos imaginam noutro mundo e noutra forma de vida, coisa que nunca, particularmente, fui muito de acreditar. Admiro muito quem tem a convicção, a mera ilusão de que vai ter continuidade da vida, quando de vez os olhos se fecharam, fato fenomênico esperado por cada ser vivente, principalmente os dotados de consciência humana, mas que até hoje nada disso me convence de que a vida vai continuar post mortem, com a devida venia para .tem lá as suas crenças.
   Especificamente para mim, na minha infância, adolescência, ainda mais adiante, nunca me preocupei com à velhice. Posso ter nesta pensado, porém sem querer vivenciá-la. Geralmente sempre se tem essa preocupação para se ter uma vida digna, formar fortuna, fazer reservas, deixar de viver o presente e guardar, acumular, se possível, riquezas, para usufruir na velhice. Mas sempre fiquei a me perguntar, com uma indagação suspensa, mas usufruir de quê numa fase de vida, que se muito se chegar é refletir do passado, repassar o velho filme em preto e branco da vida, do que filmou, não filmou, do roteiro incompleto que não terminou e agora, na velhice, vai lá se terminar e gozar de que porra? – Aí é que está o mistério da vida! – A gente só pode realmente viver enquanto pode. Na velhice, tem que se aquietar mesmo. Não que se deva entregar de forma alguma, porque a gente mesmo nessa terceira fase de vida, em seu obrigacional encurtamento, não pode jamais deixar de ser o que sempre foi, mas tem que ter a consciência plena de que a juventude, a “Flor de Lácio” que um dia foi, não a terá ou será jamais, porque o tempo não volve, tampouco o que lhe foi tirado ou deixou de fazer, não será recuperado jamais. A realidade é bem diferente e não temos mais sonhos a alimentar. Temos que nos contentar com o que nos sobrou e se ainda der tempo, vamos procurar rodar o roteiro do velho filme, daquilo que pudemos escrever no espaço de tempo que ainda nos resta, se de vez a respiração não parar e os nossos olhos não vieram a fechar para o dormitar do sono eterno para os vermes imundos que irão nos devorar impiedosamente e depois, só o pó, a porra do pó é que restará, nada mais que isto.

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