QUEM REALMENTE SOU

Minha foto
BUÍQUE, NORDESTE/PERNAMBUCO, Brazil
A VERDADE SEMPRE FOI UMA CONSTANTE EM MINHA VIDA.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

HOJE QUINTA-FEIRA, É DIA DE PUBLICAÇÃO DA SÉRIE DO BLOG ENTREVISTA - PASSANDO A LIMPO, COM MANOEL MODESTO. NOSSO ENTREVISTADO DE HOJE É WERLLES FREIRE CALADO, UM DOS PRINCIPAIS FUNDADORES DO GRUPO DE LEITORES CYL GALLINDO.

PASSANDO A LIMPO – SÉRIE BLOG ENTREVISTA COM MANOEL MODESTO

SÉRIE BLOG DE ENTREVISTAS

O seriado de entrevistas do nosso Blog, hoje tem a grata satisfação de publicar uma entrevista de um dos fundadores do GRUPO DE LEITORES CYL GALLINDO, Werlles Freire Calado, ocorrida aqui mesmo em Buíque, no dia 16.09.2014, por volta das 14h00. Cyl é natural de Buíque, nascido em 28.05.1935 e falecido em 04.02.2013, na cidade de João Pessoa. Cyl Galindo viveu a sua infância em Buíque, e a maior parte de sua vida, onde viveu e se preparou para sua vida e sempre teve o seu gosto voltado para a literatura. Formou-se em Ciências Sociais pela UFPE, era jornalista, contista e cronista brasileiro. Em suas atividades profissionais, foi redator do Jornal do Commercio, no Diário de Pernambuco e Jornal da Cidade, em Recife, foi editor do Francachiela, Buenos Aires e Assessor de Comunicação do Senado Federal, onde trabalhou por longos anos e veio a se aposentar. Autor de um grande acervo de obras, tem em torno de 16 (dezesseis) livros publicados e, sempre que podia, dava um pulo em sua terra, que ele chamada de “seu cordão umbilical”, e tinha como meta, sempre incentivar à nossa juventude para levantar movimentos de cunhos culturais na sua e nossa cidade, Buíque. Conheci Cyl Gallindo, há muitos anos e tive vários encontros com ele em Recife, no seu apartamento, onde morava em Boa Viagem. Das vezes que veio à Buíque, uma delas ficou hospedado em minha residência, noutras, na Pousada Santos, de Dedinho, mas era um grande entusiasta para que Buíque viesse a se sobressair nas artes e na cultura. Imaginando em manter a sua obra viva, é que Werlles Freire Calado com outras pessoas, resolveram fundar o grupo. Então minha gente, vamos à entrevista do nobre amigo, que preocupado com à cultura de nossa querida Buíque, teve juntamente com seus colegas a criatividade, em fundar esse grupo, com o objetivo de incentivar nossa cultura adormecida e manter viva a imagem de nosso escritor Cyl Gallindo. Vamos então às perguntas:

P - MM– Amigo Werlles o que motivou, você e os demais integrantes, a fundarem esse Grupo Cyl Gallindo de Leitores?

R – WF – Olha a gente, já tinha vontade de fazer alguma coisa pela nossa cidade; a gente já vinha se reunindo em minha casa com a finalidade de fazer alguma coisa em termos cultuais. Daí foi que uma das integrantes do grupo, Joseane Cavalcanti, levou Cyl Gallindo na minha casa para uma visita. Nós não conhecíamos ele, nem eu, nem minha esposa. Aliás, quase ninguém de Buíque o conhecia. Por isso mesmo, nesse dia da visita, nós conversamos sobre vários assuntos, de todos os temas possíveis, foi quando ele convidou o nosso grupo, para conversar e nos encontramos no SESC, sendo a partir daquele momento, que ele demonstrou essa preocupação com a nossa cidade que não estava se desenvolvendo cultural e socialmente. Falando várias frases de incentivo, dando exemplos vários, entre outras coisas. Em um segundo momento, ele nos convidou, a mim e a minha esposa, Fabiana, a fazer uma visita à casa dele, em Recife e nós ficamos dois dias em seu apartamento. A princípio a gente foi para ver o que ele tinha para nos dizer e tínhamos como objetivo, fazer uma monografia sobre ele. Fizemos uma entrevista para coletar informações, como uma das primeiras coisas nesse contato, mas em face de sua morte, não mais fizemos outras entrevistas. Nesse meio tempo, trocamos muitos e-mails e nosso estreitamento de ligação foi cada vez mais se tornado forte. A motivação principal foi ele mesmo que em vida, nos motivou.

P – MM – No momento, o Grupo tem quantos membros e quantas vezes se reúne por mês?

R – WF – Atualmente nós temos oito membros no Grupo e as reuniões, depende da pauta que se tem para discutir. Às vezes a gente se reúne cerca de duas vezes por semana, quando se tem alguma ideia inovadora em pauta para se discutir. Independentemente de qualquer coisa, a gente sempre está em contato permanente sobre o que se tem, o que fazer e sobre as obras de Cyl Gallindo. Atualmente as reuniões estão sendo mais constantes porque nós estamos trabalhando para realizar o próximo EXPRESSA BUÍQUE, no caso, o II, pois já realizamos o primeiro.

P – MM – E o que vem a ser esse Expressa Buíque, e qual o seu objetivo e significado para o movimento cultural buiquense?

R – WF – Esse evento surgiu de uma ideia inicial de um dos integrantes, que é Alex Soares, do Matutano Reegae. Ele pretendia realizar algum tipo de evento cultural em nossa cidade e ele pediu que essa ideia fosse amadurecida dentro do grupo. Daí foi que nas conversas surgiram várias ideias, e desses ideias, surgiu a principal, que é a de valorizar a cultura local. O Expressa Buíque, foi concebido para dar espaço prioritário aos artistas de nossa cidade, onde no nosso primeiro evento teve a participação dos índios Kapinawás, Grupos de Danças, Banda de Pífanos, declamação de poesias de vários poetas do próprio lugar e apresentações musicais. Tinha um momento aberto para quem quisesse cantar, se expressar, declamar alguma poesia. Essa era a ideia principal. Para o II Expressa Buíque, estamos realizado um senso cultural em nossa cidade, para descobrirmos as potencialidades que o município tem, em relação à cultura. Nós estamos bem no início do censo, que o município é rico culturalmente, só não tem espaço para se desenvolver e se firmar culturalmente. O evento está programado para acontecer em dezembro, sem data definida. Comentário...?- Isso é bom e positivo para a nossa gente e nossos valores...

P – MM – Você e o Grupo Cyl Gallindo, tem encontrado algum empecilho nessa caminhada e há quanto tempo existe o grupo formado?

R – WF -.O maior empecilho que a gente tem encontrado é a falta de apoio, tanto da iniciativa privada, e principalmente da pública. Quando a gente quer fazer alguma coisa, tem que tirar à duras penas, dos próprios bolsos, senão nada acontece. O Grupo foi fundado ainda quando Cyl era vivo, lá por volta de agosto de 2012 e o mesmo, era acompanhado pelo próprio Cyl em vida, inclusive, ele queria fazer uma reunião com a gente, mas quando veio a adoecer, não deu mais para ele ver o que a gente estava fazendo sobre o nome dele e a sua obra. Ele não tinha conhecimento de que o nome teria sido uma homenagem a ele, fato que iríamos noticiar, quando ele viesse à Buíque, mas veio a saber duas semanas antes de adoecer.

P – MM – Você e o Grupo tem o devido conhecimento da obra de Cyl Gallindo e qual o tema e aprofundamento literário por ele adotado?

R – WF -.A primeira coisa que a gente fez foi adquirir a obra dele, menos o primeiro, que nem o próprio possuía sequer mais um exemplar. É uma coisa rara. Nem na internet a gente conseguiu encontrar. A gente fazia o seguinte, cada integrante escolhia um livro, levara para casa e depois que cada um lia o livro escolhido, nos reuníamos para discutir sobre os temas abordados na literatura de Cyl Gallindo. Ela abordava mais temas sociais. Por exemplo, o livro A Conservação do Grito Gesto, é um livro de poemas, onde o autor transmite os seus sentimentos interiores em confronto com o mundo social em sua volta. Existem vários outros livros de contos. Nos contos dele, ele falava muito mais de relações familiares, a identidade das pessoas, crises existenciais, próprias dos seres humanos, um deles mais notáveis, que li, foi “As Galinhas do Coronel”. Eu achei que ele escreveu sobre as experiências de vida que ele teve quando criança. Ele mesmo me falou, que o processo criativo dele se dava de forma espontânea. Ele não fazia esforço para surgir uma ideia, ela aparecia de forma livre e espontânea. Como ele era sociólogo, a maioria de seus escritos era relacionados à sociedade.

P – MM – Você sabe dizer quantos livros ele escreveu, se tem alguns deles traduzidos para outras línguas e a extensão de sua obra, pode me falar?

R – WF- Ele valoriza muito a língua portuguesa, mas teve algumas obras traduzidas para o espanhol, o holandês e o romeno, que não chegou a ser publicado, mas apenas um pedido que chegou para ele. Entre livros que ele organizou e escreveu, acredito que foram em torno de 16, sendo somente 06 de sua autoria. Ele sofria muito, o que a maioria dos escritores brasileiros sofrem, que é a falta de interesse pela literatura, assim como muitos também, em não ser reconhecido pelo que faz em termos de literatura. A gente como um grupo de leitores, queremos contornar esse velho ditado de que “santo de casa não obra milagre”, porque é quase uma via de regra, qualquer artista, cantor, pintor, escritor, não ser valorizado, nem mesmo em sua cidade. Cyl Gallindo teve reconhecimento fora de sua cidade natal e o Grupo de Leitores Cyl Gallindo quer, é justamente o reconhecimento de sua gente e o encontro com o seu legado de exímio escritor. Ele foi a motivação para o grupo e a partir dele, é que queremos que seja valorizado através do nosso trabalho de motivação, as outras vertentes culturais e potencialidades artísticas de nossa gente. Até por que a cultura, ela ajuda o ser humano a ter mais um senso crítico sobre o que está fazendo, tudo isso proporcionado pela leitura, coisa que quase ninguém faz aqui em Buíque, o que é uma vergonha para nossa gente.

P – MM – O Grupo Cyl Gallindo de Leitores, é voltado tão-somente para à leitura ou para outras vertentes de expressões culturais?

R – WF-.A nossa base principal é a leitura, mas como todo bom leitor, somos amantes da cultura em geral. À exemplo de música, teatro, dança, cultura popular. Enfim, um dos focos do grupo, é ajudar ao Município a despertar o interesse também por essas vertentes de expressões culturais, procurando dar vida ou levantar uma cultura adormecida. A cultura, pelo comodismo, e determinados modismos, está sendo deixada de lado, em detrimento da cultura sadia e formadora de corpos e mentes. A gente vê nas culturas de massas, a dispersão de nossas culturas locais, em face até mesmo de falta de apoio e de interesse das pessoas do próprio lugar. Então é preciso fazer um trabalho voltado para acordar a nossa gente e perceber que temos uma riqueza ímpar de cultura, que ninguém está vendo, que é justamente um dos objetivos do Expressa Buíque.

P – MM – Você e o grupo tem conhecimento de alguma outra pessoa que foi importante para a nossa formação cultural, daqui mesmo de Buíque, quer na escrita ou no mundo jurídico?

R – WF- Aqui, pelo que sei, existiram muitos movimentos culturais, como samba de coco, grupo dos quilombolas, dos zabumbeiros...Os Kapinawás tem muitas expressões culturais de sua própria gente. De expressão cultural de nossa própria terra, não tenho conhecimento, mas apenas de Graciliano Ramos, que mesmo sendo alagoano de Quebrangulo, aqui aprendeu as primeiras letras e retratou o Buíque da época, através de seu livro Infância e o fez com muita propriedade. Os Quilombolas, estão querendo resgatar essa tradição cultural. Hoje (16.09.2014) está chegando em Buíque o acervo cultural de Cyl Gallindo, em torno de 5 mil livros, que o filho dele, Pablo, doou para Buíque. Só queremos ficar de olhos abertos para que essa relíquia não venha a ser desperdiçada inutilmente, mas sim, utilizada para a motivação cultural que nos propomos a atingir e que temos como objetivo maior.

P – MM – A nossa Biblioteca tem suporte suficiente para receber todo esse acervo de Cyl Gallindo? ...E como ele chegou a ser membro da APL – Academia Pernambucana de Letras?

R – WF- A princípio o que foi dito pra gente é que esses livros ao chegar em Buíque, ficariam arquivados, para ser utilizados após uma reforma na Biblioteca. Informações dadas por Blésman, Secretário de Cultura, foi o que ele nos repassou. O que a gente pode fazer como um Grupo, é acompanhar a preservação desse acervo e cobrar os devidos cuidados para a sua manutenção integral. Existem vários desses livros que foram autografados de outros amigos escritores recebidos de presentes por ele, a exemplo de um Manuel Bandeira, entre outros tantos. Fez parte da história dele, daí a sua importância. O carro que foi buscar esse acervo, estava acompanhado por dois integrantes do grupo, para observar o transporte de João Pessoa, onde se encontrava na casa de Pietro, sobrinho de Cyl Gallindo, para ser transportado para Buíque. Ele já fazia parte da Academia de Letras do Brasil. Na Academia Pernambucana, existe um vídeo no You Tube, em que ele agradece a todos pelo reconhecimento dele, para fazer parte daquela instituição de letras de Pernambuco.

P – MM  – Como membro desse novo grupo de Leitores de Cyl Galindo, que recado, que mensagem você tem para a nossa gente e nossa juventude?

R – WF- Digo que, a gente não pode perder a esperança de ter um Buíque melhor, tanto cultural, quanto socialmente falando. Espero que esse Grupo ainda possa fazer muita coisa por nosso Município, tendo como base os anseios de Cyl Gallindo, nossa maior fonte de inspiração. Que esse trabalho que a gente vem desenvolvendo, venha a ser reconhecido pelos poderes públicos, que possa nos ajudar nessa empreitada, no sentido da gente melhorar em termos de cultura e de conhecimento do nosso povo, a nossa gente e a nossa juventude. Nosso objetivo maior é fazer com a nossa cultura adormecida venha a ressurgir, se fortalecer e se firmar como fonte de libertadora de nossa gente e de nossa juventude.

         Pois bem minha gente, mais uma quinta-feira, mais uma excelente entrevista, dentro daquilo que nos propusemos a fazer em nossa SÉRIE BLOG DE ENTREVISTAS COM MANOEL MODESTO, sempre buscando trazer mais informações para o nosso povo, nossa gente e, em especial, com o intuito de despertar em nossos jovens, o interesse pela busca incessante por uma vida melhor, para que se dediquem com mais afinco e determinação para se conseguir uma formação de vida digna, com uma boa educação de qualidade, uma boa cultura de nível, para que, dotados de tais qualificativos, virmos a ter um senso crítico de liberdade para o alcance de um Buíque e de um mundo melhor. E pelo que pude observar do decorrer da entrevista gentilmente concedida pelo nosso amigo Werlles, o GRUPO DE LEITORES CYL GALLINDO, veio com a responsabilidade de procurar resgatar vários valores culturais de nossa terra e manter viva a imagem de um dos grandes mestres das letras nascido nesta terra de barrigas-pretas, que a gente tanto ama. Por isso mesmo, é que como o mentor e gestor deste Blog, quero parabenizar o Grupo, que por sinal não conhecia de perto e, por isso mesmo, o interesse de conhecer melhor essa gente que esta empenhada em belos e puros objetivos para a nossa gente, me dispondo nesta ocasião da mesma forma, para ajudar, contribuir com o meu conhecimento, naquilo que for necessário para que juntos, unidos, possamos também, despertar a nossa gente para acordar desse berço esplêndido de nossa tão rica cultura, ao mesmo tempo em que, aproveito mais uma vez para fazer um apelo aos poderes constituídos, para que nos deem a devida ajuda das quais precisamos para levar adiante, alavancar, não somente o projeto apresentado por esse grupo, mas também, para quaisquer que sejam outras manifestações de cunho culturais de nosso município, para que assim, venhamos a nos inserirmos como verdadeiros cidadãos de Buíque e do mundo. Meus agradecimentos a Werlles, sua esposa Fabiana, que fez uma Monografia focada na obra de Cyl Gallindo, aos membros do grupo, por ter me dado o privilégio de poder vir a conhecer melhor esse importante grupo cultural buiquense. Todos estão de parabéns pelo belo trabalho que vem desenvolvendo!

3 comentários:

Werlles Freire disse...

Em nome do Grupo de leitores Gyl Gallindo, agradeço pela a atenção e apoio dado ao grupo, e principalmente pelo espaço dado nesse blog para expormos nossas preocupações com a cultura de nosso município. Espero que o grupo cresça, e receba apoios para atingirmos nossos sonhos de ver um Buíque melhor. (Werlles)

Leonardo Sylva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonardo Sylva disse...

Fico muito feliz por este momento ter se realizado, tenho certeza que este encontro será o primeiro de muitos que virão por ai. Nosso Grupo busca parceiros que queiram dar dignidade a cultura local, muito obrigado Manoel Modesto por nos dá espaço em seu conceituado blog.